quinta-feira, 19 de março de 2026

Em vez de suas mágoas, quem não quer um milagre?

 

LIÇÃO 78

Deixa os milagres substituírem todas as mágoas.

1. Talvez ainda não esteja bem claro para ti que cada decisão que tomas é uma decisão entre uma mágoa e um milagre. Cada mágoa se ergue como um escudo sombrio de ódio diante do milagre que ela quer esconder. E, quando tu o ergues diante de teus olhos, não verás o milagre que está além. No entanto, ele espera por ti na luz o tempo todo, mas, em seu lugar, tu vês as tuas mágoas.

2. Hoje vamos além das mágoas, para ver de preferência o milagre em lugar delas. Vamos inverter o modo que vês não permitindo que a vista se detenha antes de ver. Não esperaremos diante do escudo de ódio, mas o deporemos e, em silêncio, ergueremos suavemente os olhos para ver o Filho de Deus.

3. Ele espera por ti atrás de tuas mágoas e, quando tu as abandonares, ele aparecerá na luz resplandecente no lugar em que cada uma estava antes. Pois cada mágoa é um obstáculo à visão e, quando ela é suspensa, vês o Filho de Deus aonde ele está sempre. Ele se encontra na luz, mas tu estavas nas trevas. Cada mágoa tornou as trevas mais profundas e não podias ver.

4. Hoje tentaremos ver o Filho de Deus. Não nos permitiremos ficar cegos a ele; não olharemos para nossas mágoas. Assim se inverte o modo de ver do mundo, quando, longe do medo, ficamos alertas em favor da verdade. Selecionaremos uma pessoa que usas como alvo de tuas mágoas e abandonaremos as mágoas, e olharemos para ela. Alguém a quem, talvez, temas e até odeies; alguém que pensas amar e que te irritou; alguém a quem chamas de amigo, mas que às vezes percebes como complicado ou difícil de agradar, exigente, irritante ou infiel ao ideal que deveria aceitar com seu, de acordo com o papel que escolheste para ele.

5. Tu sabes a quem escolher; seu nome já passou por tua cabeça. Ele será aquele em quem pediremos que o Filho de Deus te seja mostrado. Por vê-lo além das mágoas que guardas contra ele, aprenderás que aquilo que estava escondido enquanto não o vias existe em todos e pode ser visto. Ele, que era inimigo, é mais do que amigo quando é libertado para assumir o papel sagrado que o Espírito Santo estabelece para ele. Deixa que ele seja o salvador para ti hoje. É este o papel dele no plano de Deus, teu Pai.

6. Nossos períodos de prática mais longos, hoje, o verão neste papel. Tentarás conservá-lo em tua mente, primeiro tal como o consideras agora. Vais rever seus defeitos, as dificuldades que tiveste com ele, a dor que ele te causou, sua negligência e todas as pequenas e as maiores feridas que ele provocou em ti. Considerarás o corpo dele com seus defeitos e qualidades também e pensarás em seus erros e até mesmo em seus "pecados".

7. Em seguida, vamos pedir Àquele Que conhece este Filho de Deus em sua realidade e verdade que possamos olhar para ele de modo diferente e ver nosso salvador resplandecendo à luz do perdão verdadeiro, dado a nós. Pedimos a Ele pelo Nome santo de Deus e de Seu Filho, tão santo quanto Ele Mesmo:

Permite que eu veja meu salvador neste que Tu designaste
como aquele a quem devo pedir que me conduza à luz santa
em que ele se encontra, para que eu possa me unir a ele.

Os olhos do corpo estão fechados e enquanto pensas naquele que te magoou, deixa que se revele a tua mente a luz nele, que está além de tuas mágoas.

8. Aquilo que pedes não pode ser negado. Teu salvador espera por isto há muito tempo. Ele quer ser livre e tornar tua a liberdade dele. O Espírito Santo se inclina dele para ti, não vendo nenhuma separação no Filho de Deus. E aquilo que vês por intermédio d'Ele libertará ambos. Fica muito calmo agora e olha para teu salvador resplandecente. Nenhuma mágoa sombria esconde a vista dele. Tu permitiste que o Espírito Santo revelasse por meio dele o papel que Deus Lhe deu, para que possas ser salvo.

9. Deus te agradece hoje por estes momentos de serenidade, nos quais abandonaste tuas imagens e olhaste para o milagre do amor que o Espírito Santo te mostrou nos lugar delas. O mundo e o Céu se unem em agradecimento a ti, pois nem sequer um Pensamento de Deus deixa de se regozijar quando tu és salvo e o mundo inteiro contigo.

10. Nós nos lembraremos disto ao longo do dia e assumiremos o papel que nos foi designado como parte do plano de Deus para a salvação, e não o nosso. A tentação desaparece quando permitimos que cada um que encontramos nos salve e nos recusamos a esconder sua luz atrás de nossas mágoas. Permite que o papel de salvador seja oferecido a cada um que encontrares, e àqueles do passado em quem pensares ou de quem lembrares, para que possas compartilhá-lo com eles. Para ambos, e também para todos os que não veem, pedimos:

Deixa os milagres substituírem todas as mágoas.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 78

Caras, caros,

Por que muitas vezes nos aferramos a uma ideia, a uma mágoa, a um desejo de nos vingarmos de alguém que pensamos nos ter machucado? Por que preferimos ter razão a desfrutar da felicidade? Há, às vezes, uma observação que se faz a respeito de uma pessoa considerada bem-humorada, uma pessoa observadora e rápida em respostas a situações que se apresentam, que diz que esta pessoa prefere perder o amigo a perder a piada. Conhecem alguém assim?

Há situações em que a piada magoa. 

Pensemos a respeito antes de entrarmos na exploração propriamente dita da ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje.

"Deixa os milagres substituírem todas as mágoas."

Eis aqui, mais uma vez, a lição que nos dá, na prática, a oportunidade de experimentarmos o direito que temos aos milagres. Ao mesmo tempo em que nos desafia a aceitarmos o milagre, ela o oferece como substituição de todas as mágoas, que nos impedem de ver a felicidade sem fim ao alcance de nossa decisão.

Esta lição ensina que sempre escolhemos entre uma mágoa e um milagre. Da escolha de um podemos obter apenas a ilusão do mundo separado de Deus e mergulhado nas trevas. Da escolha do outro, abrem-se para nós as portas da alegria e da paz, que são a Vontade de Deus para seu filho.

A lição começa assim: 

Talvez ainda não esteja bem claro para ti que cada decisão que tomas é uma decisão entre uma mágoa e um milagre. Cada mágoa se ergue como um escudo sombrio de ódio diante do milagre que ela quer esconder. E, quando tu o ergues diante de teus olhos, não verás o milagre que está além. No entanto, ele espera por ti na luz o tempo todo, mas, em seu lugar, tu vês as tuas mágoas.

Hoje vamos além das mágoas, para ver de preferência o milagre em lugar delas. Vamos inverter o modo que vês não permitindo que a vista se detenha antes de ver. Não esperaremos diante do escudo de ódio, mas o deporemos e, em silêncio, ergueremos suavemente os olhos para ver o Filho de Deus.

Já aprendemos que as mágoas são ataques ao plano de Deus para a salvação. E já sabemos que a salvação é a alegria e a paz que os milagres nos oferecem. É preciso que pratiquemos para nos tornarmos capazes de abandonar as mágoas, que escondem o milagre e nos afastam do plano de Deus para a salvação.

Deixa os milagres substituírem todas as mágoas.

Quem não quer trocar suas mágoas por um milagre? O ego, é claro. Sempre e tão somente o ego. Pois é apenas o orgulho do ego que nos impede por vezes de reconhecer nosso direito aos milagres, e que, por consequência, nos impede de vê-los e de recebê-los. Cada pessoa que se apresenta a nós a cada dia traz consigo a oportunidade de vermos o Filho de Deus, desde que estejamos abertas e abertos ao milagre que cada encontro reserva.

É isso que a lição nos quer ensinar, ela quer que saibamos ver o Filho de Deus, que se esconde por detrás de cada mágoa que guardamos.

Assim:

Ele espera por ti atrás de tuas mágoas e, quando tu as abandonares, ele aparecerá na luz resplandecente no lugar em que cada uma estava antes. Pois cada mágoa é um obstáculo à visão e, quando ela é suspensa, vês o Filho de Deus aonde ele está sempre. Ele se encontra na luz, mas tu estavas nas trevas. Cada mágoa tornou as trevas mais profundas e não podias ver.

Hoje tentaremos ver o Filho de Deus. Não nos permitiremos ficar cegos a ele; não olharemos para nossas mágoas. Assim se inverte o modo de ver do mundo, quando, longe do medo, ficamos alertas em favor da verdade. Selecionaremos uma pessoa que usas como alvo de tuas mágoas e abandonaremos as mágoas, e olharemos para ela. Alguém a quem, talvez, temas e até odeies; alguém que pensas amar e que te irritou; alguém a quem chamas de amigo, mas que às vezes percebes como complicado ou difícil de agradar, exigente, irritante ou infiel ao ideal que deveria aceitar com seu, de acordo com o papel que escolheste para ele.

Não são sempre as mesmas pessoas que escolhemos para nos queixarmos da vida? Não é sempre de Fulano, Fulana, ou de Sicrano, Sicrana, que guardamos mágoas? Não são ele ou ela que precisam mudar alguma coisa para atender a nosso padrão de qualidade de/no relacionamento? Será que ele não poderia deixar de ser tão babaca? Ou ela não poderia deixar de ser tão metida?

De quem falamos exatamente? Sabemos? Será que não estamos falando de um filho ou de uma filha de Deus, criados a Sua imagem e semelhança? Puros, inocentes e perfeitos. Ou será que Deus se enganou quando criou alguns de nós? Alguns vieram com defeito de criação? 

Pausa para uma reflexão pertinente: 

Quantos e quantas de nós, insatisfeitos e insatisfeitas com o estado de coisas que vivemos já nos deixamos levar pela raiva, pelo ódio, e desejamos que alguma coisa de muito ruim aconteça para que tudo piore de vez? Quantos e quantas de nós já não pensamos que Deus se enganou ao criar algum tipo de pessoa? Quantos e quantas de nós já não cedemos aos anseios do ego e nos proclamamos inimigos de algum Filho de Deus, taxando-o de filho do diabo? De insensato, de perverso? De encarnação da maldade e de tantos outros adjetivos de que se vale o ego para seus julgamentos? 

Será que é assim procedendo que vamos manifestar a luz do mundo? Será que é assim que vamos semear o perdão? O que será que temos de aprender com pessoas que reputamos más a respeito de nós mesmos, de nós mesmas? O que precisamos perdoar em nós mesmos e em nós mesmas para que a luz do mundo que trazemos em nós chegue também a este tipo de pessoa e a todas as pessoas que se alinham ao modo de pensar dela? Será que julgando-a e a condenando, vamos ser capazes de criar um mundo de paz e de luz? Um mundo perdoado? Será que julgando-a e a condenando e desejando a ela todo o mal que alguém (no ego) pode desejar a alguém, estamos assumindo nosso lugar de direito na criação de um mundo de alegria e de paz completas e perfeitas, que é a Vontade de Deus para todos e todas nós?

Deixa os milagres substituírem todas as mágoas.

É a lição de hoje que vai nos permitir abandonar as mágoas de uma vez por todas. Ela vai nos permitir libertar, se de fato quisermos viver a liberdade, todos aqueles e todas aquelas que mantemos sob o jugo de nosso julgamento.

Este precisa melhorar em tal setor. Esta precisa melhorar naquele. Este precisa falar menos. Esta precisa aprender a falar apenas quando lhe pedem. Este precisa aprender a escutar. Esta precisa aprender a se vangloriar menos. Algumas pessoas poderosas, ricas, interesseiras, que visam apenas a ampliar seu poder e sua riqueza pessoal, seus apoiadores e suas apoiadoras precisam aprender a olhar com compaixão para todo o povo brasileiro que, em sua maioria vive em situação de penúria. Mas... e nossa compaixão?  De quem estamos falando, quando falamos deste ou daquele, desta ou daquela? Temos firme em nós a lembrança de que todas as pessoas que povoam nosso mundo são espelhos que nos mostram, muitas vezes, coisa que não queremos ver em nós? 

A lição diz:

Tu sabes a quem escolher; seu nome já passou por tua cabeça. Ele será aquele em quem pediremos que o Filho de Deus te seja mostrado. Por vê-lo além das mágoas que guardas contra ele, aprenderás que aquilo que estava escondido enquanto não o vias existe em todos e pode ser visto. Ele, que era inimigo, é mais do que amigo, quando é libertado para assumir o papel sagrado que o Espírito Santo estabelece para ele. Deixa que ele seja o salvador para ti hoje. É este o papel dele no plano de Deus, teu Pai.

Nossos períodos de prática mais longos, hoje, o verão neste papel. Tentarás conservá-lo em tua mente, primeiro tal como o consideras agora. Vais rever seus defeitos, as dificuldades que tiveste com ele, a dor que ele te causou, sua negligência e todas as pequenas e as maiores feridas que ele provocou em ti. Considerarás o corpo dele com seus defeitos e qualidades também e pensarás em seus erros e até mesmo em seus "pecados".

Que tal sermos honestos e libertar da prisão em que encarceramos todas as pessoas que passaram, as que passam e as que ainda vão passar, por nossa vida? Eis aí a oportunidade. A lição nos pede para escolhermos um, ou uma, mas podemos estender o alvará de soltura a todos e a todas que mantemos prisioneiros e prisioneiras de nossas mágoas.

Deixa os milagres substituírem todas as mágoas.

Quando aceitamos os milagres para substituir as mágoas que guardamos deste ou daquele irmão, desta ou daquela irmã, nós os/as libertamos para serem o que são na Verdade: filhos e filhas de Deus. E, ao libertá-los/las, nós também nos libertamos para reconhecer e aceitar que ainda somos como Deus nos criou.

Haverá alegria maior do que receber o milagre da liberdade e de estendê-lo a tudo e a todos e todas no mundo?

É o que faremos a seguir, continuando a ouvir a orientação do exercício:

Em seguida, vamos pedir Àquele Que conhece este Filho de Deus em sua realidade e verdade que possamos olhar para ele de modo diferente e ver nosso salvador resplandecendo à luz do perdão verdadeiro, dado a nós. Pedimos a Ele pelo Nome santo de Deus e de Seu Filho, tão santo quanto Ele Mesmo:

Permite que eu veja meu salvador neste que Tu designaste
como aquele a quem devo pedir que me conduza à luz santa
em que ele se encontra, para que eu possa me unir a ele.

Os olhos do corpo estão fechados e enquanto pensas naquele que te magoou, deixa que se revele a tua mente a luz nele, que está além de tuas mágoas.

Aquilo que pedes não pode ser negado. Teu salvador espera por isto há muito tempo. Ele quer ser livre e tornar tua a liberdade dele. O Espírito Santo se inclina dele para ti, não vendo nenhuma separação no Filho de Deus. E aquilo que vês por intermédio d'Ele libertará ambos. Fica muito calmo agora e olha para teu salvador resplandecente. Nenhuma mágoa sombria esconde a vista dele. Tu permitiste que o Espírito Santo revelasse por meio dele o papel que Deus Lhe deu, para que possas ser salvo.

As práticas da lição de hoje vão nos ensinar a ver o Filho de Deus, em nós mesmos, em nós mesmas, e em todos aqueles, e em todas aquelas, para quem olharmos ao longo do dia, porque vão nos permitir escolher o milagre em lugar de quaisquer mágoas que ainda alimentemos. Pois nosso pedido não pode ser negado. Quando escolhemos mudar, a mudança já foi realizada para nós. 

Elas vão permitir também que abandonemos as imagens falsas - frutos do julgamento - que fazemos de nossos irmãos e irmãs e de todos aqueles e de todas aquelas com quem convivemos neste mundo, permitindo que cada um deles - e cada uma delas - seja visto/a como nosso/a salvador/a, mostrando-nos a luz que se esconde - em nós mesmos e em nós mesmas e em cada um daqueles, ou cada uma daquelas, em quem pensarmos ou encontrarmos - por detrás de nossas mágoas.

Deixa os milagres substituírem todas as mágoas.

É isto e apenas isto que precisamos fazer hoje. Abrir-nos à Voz por Deus e deixar que Ele nos ensine a deixar de lado tudo o que pode causar mágoas, por ser apenas instrumento da ilusão. E Deus nos será grato, do mesmo modo que somos agradecidos a Ele, pela alegria de experimentar a liberdade que oferecemos a todos os nossos irmãos e nossas irmãs. 

Eis o que nos diz, por fim, a lição, para ajudar em nossas práticas:

Deus te agradece hoje por estes momentos de serenidade, nos quais abandonaste tuas imagens e olhaste para o milagre do amor que o Espírito Santo te mostrou nos lugar delas. O mundo e o Céu se unem em agradecimento a ti, pois nem sequer um Pensamento de Deus deixa de se regozijar quando tu és salvo e o mundo inteiro contigo.

Nós nos lembraremos disto ao longo do dia e assumiremos o papel que nos foi designado como parte do plano de Deus para a salvação, e não o nosso. A tentação desaparece quando permitimos que cada um que encontramos nos salve e nos recusamos a esconder sua luz atrás de nossas mágoas. Permite que o papel de salvador seja oferecido a cada um que encontrares, e àqueles do passado em quem pensares ou de quem lembrares, para que possas compartilhá-lo com eles. Para ambos, e também para todos os que não veem, pedimos:

Deixa os milagres substituírem todas as mágoas. 

Às práticas? 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Deus atende a teus desejos antes de os manifestares

 

LIÇÃO 77

Eu tenho direito a milagres.

1. Tu tens direito a milagres em razão do que és. Receberás milagres em razão do que Deus é. E oferecerás milagres porque és um com Deus. Mais uma vez, quão simples é a salvação! Ela é simplesmente uma afirmação de tua Identidade verdadeira. É isto que celebraremos hoje.

2. Teu direito a milagres não está em tuas ilusões acerca de ti mesmo. Ele não depende de quaisquer poderes mágicos que atribuis a ti mesmo, nem de quaisquer rituais que inventas. Ele é inseparável da verdade daquilo que tu és. E inabalável naquilo que Deus, teu Pai, é. Ele foi assegurado em tua criação e garantido pelas leis de Deus.

3. Hoje, reivindicaremos os milagres que são teu direito, uma vez que te pertencem. Recebeste a promessa de plena liberação do mundo que fizeste. Recebeste a garantia de que o Reino de Deus está em ti e não pode ser perdido jamais. Não pedimos nada além daquilo que, na verdade, nos pertence. Hoje, porém, nós também nos certificaremos de que não vamos nos satisfazer com menos.

4. Começa os períodos de prática mais longos dizendo a ti mesmo de modo bem confiante que tens direito a milagres. Fechando os olhos, lembra-te de que pedes apenas aquilo que é legitimamente teu. Recorda-te também de que os milagres nunca são tirados de um e dados a outro e de que, ao reclamares teus direitos, estás defendendo os direitos de todos. Os milagres não obedecem às leis deste mundo. Eles decorrem simplesmente das leis de Deus.

5. Depois desta breve fase introdutória, espera tranquilamente pela certeza de que teu pedido é aceito como verdadeiro. Pedes a salvação do mundo e a tua própria. Pedes que te seja dado o meio pelo qual isto se realiza. Não podes deixar de ficar seguro disto. Pedes apenas que a Vontade de Deus seja feita.

6. Ao fazeres isto, de fato, não pedes nada. Declaras uma verdade que não pode ser negada. O Espírito Santo só pode garantir que teu pedido seja concedido. O fato de teres aceitado tem de ser verdade. Não há espaço para a dúvida e para a incerteza hoje. Estamos finalmente fazendo a pergunta verdadeira. A resposta é uma afirmação de uma verdade simples. Receberás a garantia que buscas.

7. Nossos períodos de prática mais breves serão frequentes e também serão dedicados a um lembrete de uma verdade simples. Dize a ti mesmo com frequência hoje: 

Eu tenho direito a milagres.

Pede-os sempre que surgir uma situação em que eles forem necessários. Vais reconhecer estas situações. E, uma vez que não estás contando contigo mesmo para achar o milagre, tens pleno direito de recebê-lo sempre que pedires.


8. Lembra-te, também, de não te satisfazeres com menos do que a resposta perfeita. Sê rápido para dizer a ti mesmo, caso sejas tentado:

Não trocarei milagres por mágoas. Quero só o que me pertence.
Deus estabelece os milagres como meu direito.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 77

Caras, caros,

Por mais presos, ou presas, às ilusões do mundo que estejamos, é sempre tempo de entrar em contato com aquilo por que ansiamos de fato em nossa vida. E nossos maiores anseios, via de regra, estão sempre ligados à alegria, à paz, à felicidade. Ou me engano?

O que nos pode dar tudo isto? Já pararam para pensar a respeito?

Quando tua vida está a ponto de desmoronar, por quaisquer razões que forem, a quem tu te voltas? Para quem vão tuas preces e orações, se fores do tipo que reza, ou acredita em alguma coisa mística, algo que existe além da lógica do ego e do funcionamento aparentemente imperfeito deste mundo?

Quantas vezes já pediste um milagre e o obtiveste? Quantas não? Guimarães Rosa tem em algum lugar de sua obra uma frase que diz: "Seja realista. Acredite em milagres".

Por isso, para aprendermos a ser realistas, nossas práticas de hoje vão se dar com uma ideia que pode nos livrar de uma vez por todas da impressão de que não somos merecedoras ou merecedores de milagres. Uma crença que nos afasta da realidade, ou da possibilidade de sermos realistas.

Vamos a elas?

"Eu tenho direito a milagres."

A lição de hoje nos convida mais uma vez à celebração do reconhecimento de nossa identidade verdadeira, a real, conforme aprendemos na lição de ontem também. É ela que nos dá direito a milagres. É dela que vêm os milagres.

Como diz Joel Goldsmith, "conhecer nossa verdadeira identidade é resolver todo o problema da, assim chamada, existência humana. Na verdade, não vivemos uma existência humana. Nossa existência é espiritual e divina, mas, por não conhecermos nossa verdadeira identidade, ela é preenchida com conflito e desarmonia". A partir do sistema de pensamento do ego.

É para voltarmos à harmonia e termos um vislumbre de uma vida sem conflitos que praticamos o que a lição nos pede para reconhecermos hoje:

Tu tens direito a milagres em razão do que és. Receberás milagres em razão do que Deus é. E oferecerás milagres porque és um com Deus. Mais uma vez, quão simples é a salvação! Ela é simplesmente uma afirmação de tua Identidade verdadeira. É isto que celebraremos hoje.

É o que somos que nos dá direito a milagres. É do que Deus é, conosco e nós com Ele/Ela, que os receberemos. E, assim como os recebermos, vamos poder oferecê-los. A partir de nossa unidade com Deus. A salvação é apenas isto, portanto: o reconhecimento de nossa verdadeira identidade. 

Simples, não? 

Eu tenho direito a milagres.

Apesar de simples, não parece fácil. Pois, ao pensarmos viver uma existência humana, uma ilusão, criamos uma dualidade. Um modo de ver que nos separa daquilo que somos na verdade e que, aparentemente, nos separa de Deus e da unidade.

É disso que a lição trata ao dizer:

Teu direito a milagres não está em tuas ilusões acerca de ti mesmo. Ele não depende de quaisquer poderes mágicos que atribuis a ti mesmo, nem de quaisquer rituais que inventas. Ele é inseparável da verdade daquilo que tu és. E inabalável naquilo que Deus, teu Pai, é. Ele foi assegurado em tua criação e garantido pelas leis de Deus.

Nosso direito a milagres não tem nada a ver com a imagem que fazemos de nós mesmas e de nós mesmos. Não tem nada a ver também com magia, com bruxaria, com feitiçaria e tudo mais que lide com o que se costuma chamar de "o oculto". Deus não tem segredos. Tudo o que Ele/Ela tem nos pertence. Por isso também não há nada que tenhamos de esconder d'Ele/d'ela. 

Eu tenho direito a milagres.

O desafio desta vez está em buscarmos reconhecer e reivindicar aquilo que é nosso direito em razão de nossa identidade verdadeira. A lição ensina como fazê-lo:

Hoje, reivindicaremos os milagres que são teu direito, uma vez que te pertencem. Recebeste a promessa de plena liberação do mundo que fizeste. Recebeste a garantia de que o Reino de Deus está em ti e não pode ser perdido jamais. Não pedimos nada além daquilo que, na verdade, nos pertence. Hoje, porém, nós também nos certificaremos de que não vamos nos satisfazer com menos.

O Curso, em seu texto, diz a certa altura que a questão não é a de que pedimos demais, ou que queiramos demais. Ao contrário, por não conhecermos nossa verdadeira identidade, pedimos muito pouco. Ou alguém dentre nós acha que menos do que tudo está bom?

Deus é tudo de tudo. Tudo pertence a Ele/Ela. E tudo o que pertence a Ele/Ela também nos pertence. É nosso direito de filhos e filhas. Por que nos satisfazermos com menos do que tudo? Aprendamos, com a lição, de que forma chegar àquilo que é nosso por direito:

Começa os períodos de prática mais longos dizendo a ti mesmo de modo bem confiante que tens direito a milagres. Fechando os olhos, lembra-te de que pedes apenas aquilo que é legitimamente teu. Recorda-te também de que os milagres nunca são tirados de um e dados a outro e de que, ao reclamares teus direitos, estás defendendo os direitos de todos. Os milagres não obedecem às leis deste mundo. Eles decorrem simplesmente das leis de Deus.

É isto! É esta ideia que pode nos devolver a alegria, a paz e a felicidade. É nela que podemos encontrar e realizar o plano de Deus para a salvação. É no reconhecimento de que temos direito a milagres, que reconhecemos e aceitamos nossa condição de filhos e filhas de Deus. É este reconhecimento que nos devolve à unidade com Deus e com tudo o que existe.
 
Eu tenho direito a milagres.

Voltando a Joel Goldsmith:

"Se eu sei que eu sou Eu e que esse Eu é um Ser infinito, nunca pode existir um pensamento de falta, de limitação, de conflito, de desarmonia, de ciúmes, de despeito ou de ânsia. Quando eu sei que eu sou Eu e que este Eu é a infinitude, a totalidade do ser de Deus manifestado, a Palavra transformada em carne [pelo menos enquanto vivo a ilusão da forma e dos sentidos], só então posso perceber que o que mantém e anima o Eu que sou é o mesmo Eu que é Deus." 

Continuemos a ouvir o que a lição diz:

Depois desta breve fase introdutória, espera tranquilamente pela certeza de que teu pedido é aceito como verdadeiro. Pedes a salvação do mundo e a tua própria. Pedes que te seja dado o meio pelo qual isto se realiza. Não podes deixar de ficar seguro disto. Pedes apenas que a Vontade de Deus seja feita.

Ao fazeres isto, de fato, não pedes nada. Declaras uma verdade que não pode ser negada. O Espírito Santo só pode garantir que teu pedido seja concedido. O fato de teres aceitado tem de ser verdade. Não há espaço para a dúvida e para a incerteza hoje. Estamos finalmente fazendo a pergunta verdadeira. A resposta é uma afirmação de uma verdade simples. Receberás a garantia que buscas.

Na verdade, com a consciência de nossa verdadeira identidade, não há nada a pedir. Até porque Deus já realizou nossos desejos antes mesmo de os manifestarmos, quando temos consciência de Sua Presença e quando ansiamos pela unidade com Ele/Ela.

Nossa consciência da unidade com Deus e de Sua Presença é a garantia dos milagres. É a garantia de nosso direito a eles. 

Assim, a lição orienta para as práticas:

Nossos períodos de prática mais breves serão frequentes e também serão dedicados a um lembrete de uma verdade simples. Dize a ti mesmo com frequência hoje:
 
Eu tenho direito a milagres.

Pede-os sempre que surgir uma situação em que eles forem necessários. Vais reconhecer estas situações. E, uma vez que não estás contando contigo mesmo para achar o milagre, tens pleno direito de recebê-lo sempre que pedires.

Lembra-te, também, de não te satisfazeres com menos do que a resposta perfeita. Sê rápido para dizer a ti mesmo, caso sejas tentado:

Não trocarei milagres por mágoas. Quero só o que me pertence.
Deus estabelece os milagres como meu direito.

A lição de hoje, praticada com atenção e honestidade mais uma vez, pode nos dar certeza suficiente para dizer, ainda como nos ensina Goldsmith:

A consciência [da Presença de Deus em mim] é minha provisão. Minha verdadeira vida, meu verdadeiro ser, [Deus] é minha provisão. Onde quer que eu esteja, é este Princípio que mantém o Eu, que sustenta o Eu [que sou e que é um com Deus]; e onde quer que eu esteja, tudo o que Deus é deve ser. Esta consciência de que Eu sou, esta Consciência do meu ser é a minha provisão, e Ela aparece exteriormente" sob a forma que for necessária à realização de minha experiência de vida.

Às práticas?

terça-feira, 17 de março de 2026

Para [re]conhecermos nossa realidade há que praticar

 

LIÇÃO 76

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

1. Comentamos antes quantas coisas sem sentido te parecem ser a salvação. Cada uma delas te aprisiona com leis tão sem sentido quanto elas mesmas. Tu não estás preso a elas. Mas para compreender que isto é verdade, tens primeiro que perceber claramente que a salvação não está aí. Enquanto quiseres buscá-la em coisas que não têm significado, tu te prendes a leis que não fazem nenhum sentido. Deste modo, buscas provar que a salvação está aonde ela não existe.

2. Hoje nos alegraremos por não poderes prová-lo. Pois, se pudesses, buscarias a salvação eternamente aonde ela não está e jamais a acharias. A ideia para hoje te diz mais uma vez quão simples é a salvação. Procura-a aonde ela te espera e ela será achada lá. Não procures em nenhum outro lugar, pois ela não está em nenhum outro lugar.

3. Pensa na liberdade no reconhecimento de que não estás preso por todas as leis estranhas e distorcidas que estabeleceste para te salvar. Tu pensas, de fato, que morrerias a menos que tivesses montes de tiras de papel verde e pilhas de discos de metal*. Tu pensas, de fato, que uma pequena pílula redonda ou algum tipo de líquido injetado em tuas veias por uma agulha pontiaguda afastará a doença e a morte. Tu pensas, de fato, que estás sozinho a menos que outro corpo esteja contigo.

4. É a loucura que pensa estas coisas. Tu as chamas de leis e as colocas sob nomes diferentes em um catálogo de rituais que não têm nenhuma utilidade e não servem a nenhum objetivo. Pensas que tens de obedecer às "leis" da medicina, da economia e da saúde. Protege o corpo e estarás salvo.

5. Estas não são leis, mas loucura. O corpo está comprometido pela mente que fere a si mesma. O corpo sofre apenas para que a mente deixe de ver que ela é vítima de si mesma. O sofrimento do corpo é uma máscara que a mente segura para esconder o que sofre realmente. Ela não quer compreender que é sua própria inimiga, que ataca a si mesma e que quer morrer. É disto que tuas "leis" querem salvar o corpo. É por esta razão que pensas que és um corpo.

6. Não há nenhuma lei exceto as leis de Deus. Isto precisa ser repetido muitas e muitas vezes, até perceberes claramente que se aplica a todas as coisas que fizeste em oposição à Vontade de Deus. Tua magia não tem nenhum significado. Aquilo que ela pretende salvar não existe. Só aquilo que ela pretende esconder te salvará.

7. As leis de Deus não podem ser substituídas nunca. Dedicaremos o dia de hoje a nos regozijarmos por isto ser verdade. Já não é mais uma verdade que queremos esconder. Em vez disso, percebemos claramente que é uma verdade que nos mantém livres para sempre. A magia aprisiona, mas as leis de Deus libertam. A luz veio porque não há nenhuma lei a não ser as d'Ele.

8. Começaremos os períodos de prática mais longos hoje com uma pequena revisão dos diferentes tipos de "leis" que acreditamos ter de obedecer. Elas incluiriam  por exemplo, as "leis" da nutrição, da imunização, da medicação e da proteção do corpo de inúmeras maneiras. Pensa ainda mais, acreditas na "leis" da amizade, dos "bons" relacionamentos e na reciprocidade. Talvez penses até mesmo que existem leis que estabelecem o que é de Deus e o que é teu. Muitas "religiões" se baseiam nisto. Elas não querem salvar, mas condenar em nome do Céu. Contudo, elas não são mais estranhas do que outras "leis" que afirmas que têm de ser obedecidas para ficares seguro.

9. Não há nenhuma lei a não ser as de Deus. Afasta todas as crenças mágicas hoje e deixa tua mente em prontidão silenciosa para ouvir a Voz que fala a verdade para ti. Vais ouvir Aquele Que diz que não existem perdas sob as leis de Deus. Não se faz nem se recebe nenhum pagamento. Não se pode fazer troca; não há substitutos; e não se põe nada no lugar de alguma outra coisa. As leis de Deus dão eternamente e nunca tiram.

10. Ouve Aquele Que te diz isto e percebe claramente quão tolas são as leis que pensavas que sustentassem o mundo que pensavas ver. Escuta mais, então. Ele te dirá mais. Acerca do Amor que teu Pai tem para ti. Acerca da alegria infinita que Ele te oferece. Acerca do anseio d'Ele por Seu Filho único, criado como Seu canal para a criação; negado a Ele por sua crença no inferno.

11. Vamos abrir os canais de Deus para Ele hoje e deixar que Sua Vontade se estenda por nosso intermédio até Ele. Deste modo, a criação é ampliada de forma infinita. A Voz d'Ele falará disto para nós, assim como falará também das alegrias do Céu que Suas leis mantém ilimitadas para sempre. Repetiremos a ideia de hoje até ouvirmos e compreendermos que não há nenhuma lei a não ser as de Deus. Em seguida, diremos a nós mesmos, como uma oferenda com a qual o período de prática termina:

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

12. Vamos repetir esta oferenda tantas vezes quantas possíveis hoje; pelo menos quatro ou cinco vezes por hora, bem como a repetiremos em resposta a qualquer tentação de nos experimentarmos como sujeitos a outras leis ao longo do dia. Ela é nossa declaração de independência de todo perigo e de toda opressão. Ela é nosso reconhecimento de que Deus é nosso Pai e de que Seu Filho está salvo.

* Nota de tradução: "You really think that you would starve unless you have stacks of green paper and piles of metal discs." O "papel verde" [green paper] e os "discos de metal" [metal discs] se referem à moeda dos Estados Unidos da América.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 76

Caras, caros,

Dediquemo-nos, hoje, a praticar com uma ideia que pode nos libertar totalmente do sistema de pensamento do ego e de seu mundo de ilusões.

É esta a ideia:

"Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus."

Não existe nenhuma vontade que não a de Deus. Não há nenhum Poder a não ser o de Deus. Não existe um eu separado de Deus, isto é, não existe Deus e tu, ou Deus e eu, ou Deus e nós,  existe Deus. Ou, para dizer de modo diferente, a única coisa que existe e tudo o que existe é apenas Deus.

Estas afirmações revelam o que vamos praticar hoje com a ideia da lição que o Curso nos oferece. Não existe nada fora de Deus, nem nada fora de mim ou fora de ti, portanto, não existem outras leis que não sejam as de Deus. E nós não estamos sujeitos ou sujeitas a nenhuma lei que não venha d'Ele/d'Ela, que não sejam as d'Ele/d'Ela.

Comecemos, pois:

Comentamos antes quantas coisas sem sentido te parecem ser a salvação. Cada uma delas te aprisiona com leis tão sem sentido quanto elas mesmas. Tu não estás preso a elas. Mas para compreender que isto é verdade, tens primeiro que perceber claramente que a salvação não está aí. Enquanto quiseres buscá-la em coisas que não têm significado, tu te prendes a leis que não fazem nenhum sentido. Deste modo, buscas provar que a salvação está aonde ela não existe.

Hoje nos alegraremos por não poderes prová-lo. Pois, se pudesses, buscarias a salvação eternamente aonde ela não está e jamais a acharias. A ideia para hoje te diz mais uma vez quão simples é a salvação. Procura-a aonde ela te espera e ela será achada lá. Não procures em nenhum outro lugar, pois ela não está em nenhum outro lugar.

Eu já disse antes, em sintonia com o que o Curso ensina, que jamais vamos encontrar a alegria e a paz de espírito, enquanto não aceitarmos como nossa a Vontade de Deus. O mesmo acontece em relação à salvação. Se vivemos e nos movemos n'Ele/n'Ela, como podemos esperar encontrar salvação - ou qualquer outra coisa que seja - fora d'Ele/d'Ela.

As coisas do mundo não têm nenhum valor em si mesmas. São neutras conforme já aprendemos. Por que, então, teimamos em acreditar que elas podem exercer algum poder sobre nós? Não podem! Assim são as leis do mundo. Elas só podem valer quando damos a elas o poder de regularem nosso modo de viver. Mas há que mudá-las sempre que as condições mudam. Sempre que elas parecerem beneficiar algo diferente da verdade há que se rever com que espírito e intenção elas estão sendo aplicadas.

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

É por isso que acima de tudo as leis têm de fazer valer nosso direito à liberdade, à alegria e à paz. É por isso que não estamos sujeitos a quaisquer leis que não venham de Deus. Quando alguma coisa nos deixa indignadas ou indignados não é porque a coisa não é verdadeira, ou porque ela merece nossa indignação. Não! Na verdade, o que estamos olhando é nossa interpretação da coisa. E nos indignamos porque demos poder à coisa contra nós mesmas, conta nós mesmos, contra aquilo em que acreditamos. 

O que precisamos fazer, então, neste caso? É claro que só podemos/devemos nos voltar para dentro de nós e buscar lá, na fonte da indignação, a razão pela qual estamos tão incomodadas ou incomodados a ponto de querermos mudar o mundo, condenando a uns e outros e umas e outras por isso ou por aquilo. "Não há mundo!" - o Curso ensina. O que há para mudar, então? Óbvio que apenas nossa forma de olhar para o mundo, e para tudo o que aparentemente vemos nele. Afinal, se vemos o que vemos e não gostamos do que vemos, o local que precisa ser curado está dentro. Não há nada fora. O fora é  sempre apenas uma projeção do que há dentro.

Vejamos, então, como a lição continua:

Pensa na liberdade no reconhecimento de que não estás preso por todas as leis estranhas e distorcidas que estabeleceste para te salvar. Tu pensas, de fato, que morrerias a menos que tivesses montes de tiras de papel verde e pilhas de discos de metal. Tu pensas, de fato, que uma pequena pílula redonda ou algum tipo de líquido injetado em tuas veias por uma agulha pontiaguda afastará a doença e a morte. Tu pensas, de fato, que estás sozinho a menos que outro corpo esteja contigo.

É a loucura que pensa estas coisas. Tu as chamas de leis e as colocas sob nomes diferentes em um catálogo de rituais que não têm nenhuma utilidade e não servem a nenhum objetivo. Pensas que tens de obedecer às "leis" da medicina, da economia e da saúde. Protege o corpo e estarás salvo.

Estas não são leis, mas loucura. O corpo está comprometido pela mente que fere a si mesma. O corpo sofre apenas para que a mente deixe de ver que ela é vítima de si mesma. O sofrimento do corpo é uma máscara que a mente segura para esconder o que sofre realmente. Ela não quer compreender que é sua própria inimiga, que ataca a si mesma e que quer morrer. É disto que tuas "leis" querem salvar o corpo. É por esta razão que pensas que és um corpo.

Mas não somos um corpo. E o objetivo de nossas práticas está relacionado aos objetivos do Curso, que não têm nada a ver com melhorar os aspectos humanos e mundanos de nossas vidas. Ele não se refere à busca de cura para uma doença, para os problemas do dia-a-dia, para a falta de emprego, para a punição dos corruptos, ou para o linchamento de autoridades deste ou daquele governo, sob o qual nos encontremos, ou mesmo para as dificuldades materiais com que muitos e muitas de nós nos defrontamos por vezes.

O que buscamos aqui, no Curso, é o conhecimento de nossa realidade como espírito, o vislumbre da unidade, chegar à verdade do que somos - seja qual for a forma que tenhamos escolhido para ver a nós mesmos e a nós mesmas, e as outras pessoas, que também são o que somos e nos completam assim como completam Deus -, isto é, a verdade que afirma que somos a manifestação de Deus como vida que se expressa em tudo, em todos e em todas de modo individual, com harmonia e perfeição.

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

O que pode acontecer - e acontece, de fato -, quando nos decidimos a ver de modo diferente, é que todas as condições de nossa vida cotidiana mudam para melhor, apesar de parecerem piorar ou estagnar em alguns momentos. Esses momentos são, em geral, aqueles em que ainda mantemos dúvidas a respeito de nossa verdadeira identidade em Deus.

Uma vez tomada a decisão de seguir em frente, não importa o que aconteça, porém, tudo se encaminha na direção da harmonia, da alegria e da paz.

Isto significa, sem sombra de dúvida, reconhecer e aceitar que:

Não há nenhuma lei exceto as leis de Deus. Isto precisa ser repetido muitas e muitas vezes, até perceberes claramente que se aplica a todas as coisas que fizeste em oposição à Vontade de Deus. Tua magia não tem nenhum significado. Aquilo que ela pretende salvar não existe. Só aquilo que ela pretende esconder te salvará.

As leis de Deus não podem ser substituídas nunca. Dedicaremos o dia de hoje a nos regozijarmos por isto ser verdade. Já não é mais uma verdade que queremos esconder. Em vez disso, percebemos claramente que é uma verdade que nos mantém livres para sempre. A magia aprisiona, mas as leis de Deus libertam. A luz veio porque não há nenhuma lei a não ser as d'Ele.

Quando vemos a luz, entendemos que a melhoria de todas as nossas condições de vida são apenas um sinal de que caminhamos na direção correta. É consequência e resultado de nos mantermos firmes na decisão de continuar a jornada, elevando-nos cada vez mais em espírito, abandonando de vez, ou dando cada vez menos importância às coisas do mundo.

Entendemos que:

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

Entendemos que é preciso renunciar ao mundo para ganhá-lo inteiro. Mas como é difícil entender o significado das palavras "renunciar ao mundo", não é mesmo? O ego, equivocado, é claro, acredita que se perde tudo aquilo a que se renuncia, do mesmo modo que acredita estar perdido tudo aquilo que se dá. Mas, no reino do espírito, a lei é outra. É aquela que o Curso ensina: "tu só tens verdadeiramente aquilo que dás".

Nada do que o mundo nos oferece pode substituir a alegria e a paz de espírito que obedecer às leis de Deus pode oferecer. Só as leis d'Ele/d'Ela podem nos dar a mais completa liberdade e fazer com que não nos deixemos enganar pelas leis do ego, pelas leis do mundo, que praticamos desaprender como a lição nos orienta:

Começaremos os períodos de prática mais longos hoje com uma pequena revisão dos diferentes tipos de "leis" que acreditamos ter de obedecer. Elas incluiriam  por exemplo, as "leis" da nutrição, da imunização, da medicação e da proteção do corpo de inúmeras maneiras. Pensa ainda mais, acreditas na "leis" da amizade, dos "bons" relacionamentos e na reciprocidade. Talvez penses até mesmo que existem leis que estabelecem o que é de Deus e o que é teu. Muitas "religiões" se baseiam nisto. Elas não querem salvar, mas condenar em nome do Céu. Contudo, elas não são mais estranhas do que outras "leis" que afirmas que têm de ser obedecidas para ficares seguro.

Pensa bem! Reflete acerca do que a lição está dizendo aqui. O grande desafio que a lição nos traz hoje é este: abandonar a crença nas leis feitas pelo ego. Mesmo aquelas que nos parecem [ao ego em nós] justas. Viver não tem nada a ver com justiça. Não existe na verdade nada que não seja teu e nada que não seja de Deus. Melhor dizendo, tudo é de Deus e tudo vem de Deus, mas tudo o que é de Deus é teu também. Não há limites para o que Ele/Ela quer te dar. Só os que tu mesmo ou tu mesma te impões e, por consequência, impões a Ele/Ela, em ti, é claro. Sempre em ti, nunca fora.

Precisamos tratar de aprender e ter em mente que, como alguém disse, há algum tempo: "Deus só diz sim". É por isso que tudo aquilo que acreditas merecer vem para ti. Mas é também por isso que tudo aquilo que pensas não merecer não vem. 

ATENÇÃO, ATENÇÃO, IMPORTANTE, REPETINDO:

"Deus só diz sim". 

É por isso que tudo aquilo que acreditas merecer e desejas de todo coração vem a ti. Mas é também por isso que tudo aquilo que pensas não merecer, aquilo que no fundo não tens certeza de quereres, não vem. 

Isto também é parte das leis de Deus. É a lei do livre arbítrio. Tens o direito a escolher tudo o que queres viver. Deus não tem nada a ver com o que escolhes, principalmente quando tua escolha te afasta da alegria e da paz.

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

Isto é sinal de que, em Deus, com Ele/Ela, podemos tudo. Podemos inverter as leis que regem o mundo da forma e desfazer aquilo que o ego inventa, como o objetivo de nos convencer de sua existência. Assim, como a lição diz:

Não há nenhuma lei a não ser as de Deus. Afasta todas as crenças mágicas hoje e deixa tua mente em prontidão silenciosa para ouvir a Voz que fala a verdade para ti. Vais ouvir Aquele Que diz que não existem perdas sob as leis de Deus. Não se faz nem se recebe nenhum pagamento. Não se pode fazer troca; não há substitutos; e não se põe nada no lugar de alguma outra coisa. As leis de Deus dão eternamente e nunca tiram.

Ouve Aquele Que te diz isto e percebe claramente quão tolas são as leis que pensavas que sustentassem o mundo que pensavas ver. Escuta mais, então. Ele te dirá mais. Acerca do Amor que teu Pai tem para ti. Acerca da alegria infinita que Ele te oferece. Acerca do anseio d'Ele por Seu Filho único, criado como Seu canal para a criação; negado a Ele por sua crença no inferno. 

Não é mesmo uma loucura pensar que acreditamos em tanta bobagem que nos limita e impede de alcançar e de viver a felicidade constante e permanente, alegria que não tem fim e a paz que não acaba nunca?

A quem vamos escolher ouvir hoje? Ao ego, que nos diz que somos pecadoras e pecadores e não merecemos viver o Céu na terra. E que isso nem é possível. Ou ao Espírito Santo, Que nos diz que ainda somos como Deus nos criou e que nada do que fazemos pode manchar ou macular nossa inocência eterna?

Vamos seguir a orientação que a lição nos dá em seguida e abrir-nos a Deus, à Voz por Deus, para confirmar que estamos dispostos a viver a confiança em que não estamos sujeitos a nenhuma lei a não ser às de Deus?

Vamos abrir os canais de Deus para Ele hoje e deixar que Sua Vontade se estenda por nosso intermédio até Ele. Deste modo, a criação é ampliada de forma infinita. A Voz d'Ele falará disto para nós, assim como falará também das alegrias do Céu que Suas leis mantém ilimitadas para sempre. Repetiremos a ideia de hoje até ouvirmos e compreendermos que não há nenhuma lei a não ser as de Deus. Em seguida, diremos a nós mesmos, como uma oferenda com a qual o período de prática termina:

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

Vamos repetir esta oferenda tantas vezes quantas possíveis hoje; pelo menos quatro ou cinco vezes por hora, bem como a repetiremos em resposta a qualquer tentação de nos experimentarmos como sujeitos a outras leis ao longo do dia. Ela é nossa declaração de independência de todo perigo e de toda opressão. Ela é nosso reconhecimento de que Deus é nosso Pai e de que Seu Filho está salvo.

Abrir os canais de Deus para Ele/Ela é colocar-se em estado de oração. Segundo Joel Goldsmith: "A oração é a palavra de Deus que chega até nós. A oração não é algo que fazemos. A oração não é a enunciação de algo para Deus ouvir. A oração não é uma súplica nem uma afirmação. A oração é realmente a palavra de Deus chegando até nós".

É, na verdade, o que a lição nos pede para fazermos, um abrir-se para a Presença de Deus no interior de nós mesmos e de nós mesmas. Naquele ponto interior onde está Deus. É claro que isso não significa dentro do corpo. Pois não é possível encontrarmos Deus dentro de um corpo físico. Deus só está dentro no sentido de que Ele/Ela é o verdadeiro Ser em nós.

Chegando aí podemos praticar com tranquilidade e com a alegria a ideia que lição apresenta hoje, confiantes de que, de verdade:

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

Antes, no entanto, de eu os convidar às práticas, gostaria de acrescentar, uma vez mais, como o fiz em anos passados, uma observação no que diz respeito a esta lição específica.

David R. Hawkins, em livro que li há já algum tempo, conta uma pequena história a respeito de seu trabalho com a cinesiologia e fala de um grupo de pessoas que visitou sua clínica para aprender com suas experiências e com seu grupo de estudos.

Diz ele que, normalmente, para se fazer o teste em grandes grupos, é comum colocar os sujeitos sob uma luz fluorescente ou fazer as pessoas segurarem um pesticida em seu plexo solar. Estes estímulos fazem com que todos na audiência se tornem mais fracos. Olhar para uma maçã contaminada por pesticida em frente ao saguão dos locais de palestra também serve para tornar as pessoas da audiência mais fracas. Ao contrário, imaginar uma figura divina faz com que todos fiquem mais fortes.

Hawkins diz que, certa ocasião, um grupo de pessoas foi até a clínica para aprender acerca da cinesiologia e, de forma surpreendente, nenhum dos estímulos negativos confiáveis teve qualquer efeito sobre qualquer uma das pessoas daquele grupo. Todas elas, testadas, se mostraram imunes à negatividade exterior.

Quando questionadas, revelou-se que todas elas eram estudantes de Um Curso em Milagres, o que o levou a uma investigação ainda maior, na qual os estudantes que tencionavam fazer as práticas do livro de exercícios foram testados antes de começarem as lições e consecutivamente depois disso.

Os testes revelaram que, no momento em que os estudantes chegavam na altura da Lição 75, eles tinham perdido sua vulnerabilidade aos estímulos negativos, isto é, eles deixavam de sofrer quaisquer influências daquilo a que chamamos de impulsos negativos. Uma vez que o Curso se baseia no poder do perdão, as práticas capacitam seus estudantes a substituírem a percepção do ego e de seu posicionamento dualístico pela verdade, que substitui a falsidade. A lição crítica, de acordo com Hawkins, na qual os estudantes mostravam esta mudança é exatamente esta:

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

Ou dito, de outro modo, só estou sujeito àquilo que mantenho em minha mente. No entanto, ele termina, para que esta lição seja absorvida, as setenta e cinco lições anteriores tinham de ter sido praticadas diariamente e em sequência como prescrito. 

Às práticas?