sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Não existe outro mundo que não o mundo interior


LIÇÃO 293

Todo o medo passou e só existe amor aqui.

1. Todo o medo passou porque sua fonte acabou e todos os seus pensamentos acabaram com ela. O amor, cuja Fonte está aqui para todo o sempre, fica sendo o único estado presente. O mundo pode parecer alegre e puro, e seguro e acolhedor, com todos os meus erros do passado a pressioná-lo e a me mostrarem formas distorcidas de medo? No presente, porém, é fácil de se reconhecer o amor, e seus efeitos são visíveis. O mundo inteiro brilha como reflexo de sua luz sagrada e eu percebo, por fim, um mundo perdoado.

2. Pai, não deixes que Teu mundo sagrado fuja de minha vista hoje. Nem deixes que meus ouvidos fiquem surdos aos hinos de gratidão que o mundo canta sob os sons do medo. Existe um mundo verdadeiro que o presente mantém a salvo de todos os erros anteriores. E eu quero ver só este mundo diante de meus olhos hoje.

*

COMENTÁRIO:

Nesta sexta-feira, dia 19 de outubro, vamos estender a reflexão com a ideia que o Curso nos oferece para as práticas, pensando um pouco a respeito do que são nossos impedimentos para uma vida plena de alegria, de saúde, de paz, em sintonia com o divino em nós mesmos. 

Vamos lá, então. 

Os obstáculos e questões que nos impedem de seguir adiante, vivendo apenas um momento de cada vez, não existem senão em nossa cabeça. São nossos próprios pensamentos que, projetados, transformam o caminho em uma via pedregosa, cheia de curvas, de desvios, de perigos e de acidentes.

"Se" - pensamos - "as coisas fossem só um pouquinho diferentes tudo seria muito melhor". Esquecemo-nos de que as coisas são neutras, as próprias pessoas com quem convivemos são neutras, que o mundo, e tudo o que ele contém, recebe apenas e tão-somente o significado que damos a ele.

Não existe "se" a não ser quando nos amarramos a um ou mais julgamentos que fazemos de nós mesmos. Nada do que existe e vemos pode mudar a menos que nós mudemos. Nenhum "se" pode vir a atrapalhar o caminho que traçamos e nos propomos a viver, quando nossa decisão se baseia naquilo que, em nós, sabemos maior do que o que vemos em nós, maior do que o corpo que nos carrega e serve de veículo de comunicação e interação com o(s) outro(s) e com o mundo.

O Imutável em nós - o que está além da salvação, além de quaisquer crenças do ego, de doutrinas, de filosofias, psicologias e credos - está sempre conosco, quer estejamos em dúvida, quer estejamos decididos a dar um passo de cada vez, quer estejamos serenos, quer estejamos "pré-ocupados" com o que pode acontecer a cada passo, se...

Não importa!

No fundo, a razão pela qual cada um de nós está aqui e vive a vida que vive e constrói o mundo da forma pela qual o constrói para si e para os outros também não tem importância, uma vez que estamos aqui apenas somando ilusões à ilusão maior do ego: a de que existe um mundo que tem de ser mudado, transformado, melhorado, sob pena de sucumbir aos desmando de uma humanidade que se esqueceu de si mesma.

Na verdade, não há nenhum mundo, a não ser o mundo interior, que se projeta e cria a ilusão de luz e sombra, que nos guiam ao longo desta jornada, destinada apenas a nos devolver à origem última, da qual nunca nos ausentamos, que permanece conosco o tempo inteiro. Mesmo quando não temos consciência disso.

É por isso que podemos praticar com toda a confiança a ideia de hoje.

Às práticas?

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Render-se por completo à Presença de Deus


LIÇÃO 292

É certo um final feliz para todas as coisas.

1. As promessas de Deus não fazem nenhuma exceção. E Ele assegura que só se pode achar a alegria como resultado final para todas as coisas. O momento em que se chegará a este resultado, porém, depende de nós; de quanto tempo permitiremos que uma vontade estranha pareça se opor à d'Ele. E, enquanto pensarmos que essa vontade é real, não acharemos o final que Ele estabelece como resultado para todos os problemas que percebemos, para todas as provações que vemos e para cada situação com que nos deparamos. Contudo, o fim é certo. Pois a Vontade de Deus se faz na terra e no Céu. Nós vamos buscar e achar segundo a Vontade d'Ele, que assegura que se faça a nossa vontade.

2. Nós Te agradecemos, Pai, por Tua garantia de apenas resultados felizes no final. Ajuda-nos a não nos intrometermos e, assim, atrasar os finais felizes que Tu nos prometes para cada problema que podemos perceber, para cada provação que ainda pensamos ter de enfrentar.

*

COMENTÁRIO:

Nesta quinta-feira, dia 18 de outubro, vamos dedicar nossa atenção mais uma vez, ainda que apenas por um momento, às ideias de nossas práticas de ontem [Este é um dia de serenidade e de paz.] e de segunda [Minha felicidade neste momento é tudo o que vejo.].

Voltar nossa atenção para as ideias que praticamos dois dias atrás, como eu disse nos comentários anteriores para esta lição, só pode nos levar a concluir que a ideia que vamos praticar neste dia tem de ser verdadeira. Mais, não poderemos deixar de concluir que o Curso está certo ao afirmar que o único tempo que existe é o presente.

E como eu disse antes também, alguns podem até se perguntar: Por quê? E eu, repetindo ainda os comentários anteriores, diria que a razão para tanto é o fato de as práticas diárias nos porem em contato, agora - ainda que por alguns instantes apenas, dependendo do modo pelo qual nos dedicamos às práticas -, com o que somos e de que nos esquecemos a maior parte do tempo, vivendo de forma inconsciente, fazendo coisas, querendo coisas, obtendo coisas e sonhando em ter e acumular mais e mais coisas, numa busca e numa atividade desenfreadas que nos afastam cada vez mais de nós mesmos, de tudo, de todos e, mais sério, nos afastam aparentemente cada vez mais de Deus. Apesar de este afastamento ser impossível. Lembremo-nos apenas, por exemplo, de uma das lições da primeira parte do livro que afirma: Deus vai comigo aonde eu for.

Ora, o contato com o que somos, agora - o único tempo que existe, ainda que por breves instantes, nos devolve a consciência do divino em nós e nos permite estar presentes por inteiro em toda e qualquer situação que se apresente. É nossa presença por inteiro que facilita viver cada dia como "um dia de serenidade e de paz", ou que possibilita vermos apenas nossa "felicidade neste momento".

E é claro que estes vislumbres e vivências do presente, do "aqui e agora", em nós mesmos, por mais breves que sejam, insisto, podem nos garantir - e garantem, de fato -, que, como a ideia que praticamos hoje: É certo um final feliz para todas as coisas.

Vamos, pois, às práticas, oferecendo ao Pai toda a gratidão de que somos capazes pela certeza de que a Vontade d'Ele é a garantia de nossa [própria] vontade, que é a mesma d'Ele e que só pode ser satisfeita, quando nos rendermos por completo a Sua Presença em nós.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Qualquer preocupação com a forma é separação



8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

*

LIÇÃO 291

Este é um dia de serenidade e de paz.

1. Hoje a visão de Cristo olha por intermédio de mim. A visão d'Ele me apresenta todas as coisas perdoadas e em paz, e oferece esta mesma visão ao mundo. E eu aceito esta visão em seu nome, tanto para mim quanto também para o mundo. Quanta graça vemos hoje! Quanta santidade vemos à volta de nós! E podemos reconhecer que ela é uma santidade da qual compartilhamos; é a Santidade do Próprio Deus.

2. Hoje minha mente está calma para receber os Pensamentos que Tu me ofereces. E eu aceito o que vem de Ti em lugar do que vem de mim mesmo. Eu não conheço o caminho para Ti. Mas Tu és inteiramente digno de confiança. Pai, guia Teu Filho pelo caminho sereno que conduz a Ti. Permite que meu perdão seja completo e deixa que a lembrança de Ti volte para mim.

*

COMENTÁRIO:

Começamos nesta quarta-feira, dia 17 de outubro, as práticas das dez lições que terão por tema a oitava das instruções que o Curso oferece para esta segunda parte do livro de exercícios, que é: O que é o mundo real?

Lembremo-nos de que, como nos instrui o livro,  é preciso voltar diariamente nosso olhar para esta instrução antes de cada lição, uma vez que o tema é de particular interesse para todos nós. Pois, em geral, pensamos que há algo de real neste mundo e que só precisamos descobrí-lo para alcançar a felicidade, a paz e a alegria que aspiramos, que buscamos sem saber onde encontrar. Ledo engano. Não há.

Onde estará, então, o dito mundo real? Como já lhes disse outras vezes, à luz de praticamente todos os ensinamentos espirituais, inclusive os do UCEM, não há nada fora de nós, de cada um de nós. Posso, por isso, repetir as perguntas que lhes fiz no comentário do ano passado.

Isto não significa dizer, portanto, que o mundo real só pode estar dentro de cada um de nós? O que há, então, para se buscar neste mundo? O que há para mudar neste mundo? Por que razão quase todos estamos tão envolvidos com a ideia de transformar o mundo, este mundo? O que há para ser transformado nele? Nada.

Em geral, achamos que podemos fazer alguma coisa para melhorar este mundo. Mas o Curso ensina que não há mundo. Melhorar, então, o quê? Na verdade tudo o que vemos é o reflexo materializado daquilo que trazemos dentro de nós, e que projetamos no mundo, nas pessoas, e nas experiências que escolhemos viver. E tudo está ligado à percepção. 

Assim, para mudar qualquer coisa que nos pareça fora de lugar, ou que nos incomode por qualquer razão que seja, tudo o que precisamos fazer é trabalhar a mudança de nossa percepção. Pois não há como nos livrarmos de nada, tudo o que podemos fazer é acolher para transformar. Mais do que isso, acreditar que há alguma coisa a se fazer para melhorar este mundo é reforçar a crença na separação. Pois, como diz Joel Goldsmith, em um de seus livros, enquanto ainda tivermos qualquer preocupação com a forma ainda estamos nos acreditando separados, uns dos outros e de Deus.

Lembram-se dos três passos de que lhes tenho falado? É a partir deles e do conhecimento de que "todas as coisas cooperam para o bem"; e que não importa o que façamos - ou o que qualquer um de nós faça - em relação ao mundo aparentemente fora de nós, nada pode mudar o que somos na verdade. O mundo real só é visível para os olhos que perdoam, para os olhos que não julgam, repetindo o que eu disse ao final do comentário do ano passado.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Só podemos escolher agora, neste exato momento.


LIÇÃO 290

Minha felicidade neste momento é tudo o que vejo.

1. A não ser que eu olhe para aquilo que não existe, minha felicidade neste momento é tudo o que vejo. Olhos que começam a se abrir veem, enfim. E eu quero que a visão de Cristo venha a mim neste dia mesmo. Aquilo que percebo sem a Moderação Própria de Deus para a visão que fiz é assustador e doloroso de se ver. Porém, não vou deixar nem mais um instante que minha mente seja enganada pela crença de que o sonho que fiz é real. Este é o dia em que busco minha felicidade neste momento e não olho para mais nada a não ser para a coisa que busco.

2. Com esta decisão, venho a Ti e peço que Tua força me sustente hoje, enquanto busco fazer apenas Tua Vontade. Tu não podes deixar de me ouvir, Pai. Aquilo que pedi Tu já me dás. E estou certo de que verei minha felicidade hoje.

*

COMENTÁRIO:

A ideia para nossas práticas nesta terça-feira, dia 16 de outubro, de forma similar à que praticamos ontem, e dizia que "o passado acabou" e não pode nos tocar, também busca nos ensinar a fincar pé no presente. Pois o que há para se viver fora dele, fora deste exato momento? Se quisermos escolher o amor, só podemos fazê-lo agora, neste momento! A partir da tomada de consciência do que somos, que também só pode se dar neste momento. Aqui e agora. Como o Curso ensina, o presente é o único tempo que existe.

Assim, para estimular o aprofundamento da reflexão com as práticas desta ideia, dou-lhes abaixo alguns pensamentos de sábios e mestres de todos os tempos:

O primeiro é de Meister Eckhart, que diz o seguinte: 

"Conhecerás a Deus sem imagens, sem aparência e sem meios. Enquanto este ele e este eu, a saber, Deus e a alma, não forem um único aqui, um único agora, o eu não poderá trabalhar nem identificar-se com aquele ele."

O segundo nos vem de Sri Ramana Maharshi, para quem,

"Não há criação nem destruição, nem destino nem livre arbítrio; nem caminho nem consecução; esta é a verdade final."

O terceiro é de Amakuki Sessan e afirma o seguinte:

"A verdadeira paz e a felicidade eterna, a imortalidade e a verdade universal, o Caminho do céu e da terra, em outras palavras, a experiência do Absoluto e do infinito ou, em termos religiosos, o caminho de Buddha - o grande erro consiste em pensar consegui-lo em algum céu ou mundo do outro lado. Nunca deixamos o Caminho por um momento sequer. O que podemos deixar não é o Caminho."

Por fim, um poema Zenrin:

"Se compreenderes, as coisas são exatamente como são.
Se não compreenderes, as coisas são exatamente como são."

Às práticas?

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

"A história de nossa vida, afinal, não é nossa vida."


LIÇÃO 289

O passado acabou. Não pode me tocar.

1. A menos que o passado esteja acabado em minha mente, o mundo real tem de se esconder de minha vista. Pois não estou olhando para lugar algum de fato; vendo apenas o que não existe. Como posso perceber o mundo que o perdão oferece, então? Fez-se o passado para esconder esse mundo, pois esse é o mundo que só se pode ver agora. Ele não tem nenhum passado. Pois o que se pode perdoar senão o passado, que, se for perdoado, desaparece.

2. Pai, permite que eu não olhe para um passado que não existe. Pois Tu me ofereces Teu Próprio substituto em um mundo presente, que o passado deixa intocado e livre de pecado. Eis aqui o fim da culpa. E aqui estou pronto para Teu passo final. Devo perdir-Te que esperes mais para que Teu Filho encontre a graça que Tu planejaste para ser o fim de todos os seus sonhos e de toda a sua dor?

*

COMENTÁRIO:

A ideia que vamos praticar nesta segunda-feira, dia 15 de outubro, como não poderia deixar de ser estende e complementa a ideia que praticamos ontem, tornando-a mais geral e abrangente. Mais ou menos como nos informa, e quer que aprendamos, a introdução ao livro de exercícios. Lembram-se da orientação de voltar à introdução, ao tema central para o período, a cada dia, antes das práticas?

Vejamos também o que nos diz o livro na introdução geral aos exercícios: "O propósito do livro de exercícios é o de treinar tua mente de forma sistemática para uma percepção diferente de todos e de tudo no mundo. Os exercícios são planejados para te ajudar a generalizar as lições de modo a compreenderes que cada uma delas é igualmente aplicável a todos e a tudo o que vês" [LE-in.4].

Lembremo-nos mais uma vez de que lhes falei nos dois últimos anos de uma frase ouvida em um filme, em que um dos personagens dizia: "A história de nossa vida, afinal, não é nossa vida. É apenas nossa história". 

Por que relembrar disto? Porque, se pensarmos bem, prestando bastante atenção ao fato de que cada um vê o mundo a partir de uma ótica muito particular e intransferível, seremos capazes de ver, de compreender até, de juntar a ideia das práticas de hoje à frase do filme. E mais, de aplicá-la a todos e a tudo.

E por que aplicar a ideia a tudo e a todos? - podemos nos perguntar. Como uma amiga perguntava outro dia, de que me vale perdoar o outro, não reagir, buscar amá-lo apesar de tudo, independente do que ele faça, para o bem ou para o mal? 

Pois, lembram?, foi esta minha amiga mesmo que disse ter lido a resposta a sua pergunta em uma frase atribuída a Madre Tereza de Calcutá, que buscava responder a uma pergunta semelhante, Dizia Madre Tereza ser preciso que nos dediquemos a fazer tudo aquilo porque, em última instância, tudo o que fazemos diz respeito a nós mesmos e a Deus tão-somente. Não fazemos nada para ninguém senão para nós mesmos. Sempre que nos relacionamos com alguém, no fundo, no fundo, nosso relacionamento é sempre com Deus. Percebem nisto a razão pela qual nos dedicamos a estas práticas?

Já pensaram quão diferente nossa percepção vai se tornar quando soubermos, por estarmos atentos, que, ao olhar para o(s) outro(s) é sempre para uma manifestação do divino que olhamos? Ou que olhamos apenas para um aspecto do divino em nós mesmos do qual ainda não tínhamos nos dado conta?

domingo, 14 de outubro de 2012

O passado não existe. Só existe o presente: o agora


LIÇÃO 288

Que eu esqueça o passado de meu irmão hoje.

1. Este é o pensamento que mostra o caminho para Ti e me leva a minha meta. Eu não posso chegar a Ti sem meu irmão. E, para conhecer minha Fonte, tenho primeiro de reconhecer aquilo que Tu criaste uno comigo. É na mão do meu irmão que me guia no caminho para Ti. Os pecados dele estão no passado junto com os meus e eu estou salvo porque o passado se foi. Que eu não o acalente em meu coração ou perderei o caminho para chegar a Ti. Meu irmão é meu salvador. Que eu não ataque o salvador que Tu me dás. Mas deixa-me render homenagem a ele que carrega Teu Nome e, assim, lembrar-me de que Ele é meu próprio nome.

2. Perdoa-me, então, hoje. E saberás que me perdoas se olhares para teu irmão na luz da santidade. Ele não pode ser menos santo do que eu e tu não podes ser mais santo do que ele.

*

COMENTÁRIO:

Conforme eu disse nos dois últimos anos e vou repetir, eis aqui, neste domingo, 14 de outubro, a ideia chave, que, praticada, aprendida e aplicada, pode abrir os portões do Céu para todos e para cada um de nós. 

Que melhor professor podemos escolher para nos ensinar do que o Espírito Santo, que pode guiar cada um de nossos passos na direção do perdão? E o que é esquecer o passado de meu irmão a não ser perdoar? Perdoar-me e perdoá-lo? 

Perdoar o passado de meu irmão, de meu próximo, da pessoa com quem convivo diariamente, é perdoar meu próprio passado também, uma vez que tudo o que eu pensava que ele tinha feito era apenas ilusão, criada a partir de meu julgamento, a partir de minha percepção. Lembrando-me ainda de que só eu sou responsável por tudo aquilo que me acontece. Não importa qual instrumento, ou qual irmão, eu use para materializar a experiência que escolho viver.

Vamos ilustrar isto mais uma vez com o que o livro texto diz:

"Os erros de teu irmão não são mais dele do que os teus são teus. Aceita os erros dele como reais e atacas a ti mesmo. Se quiseres achar o caminho e mantê-lo, vê apenas a verdade a teu lado porque vocês caminham juntos. O Espírito Santo em ti perdoa todas as coisas em ti e em teu irmão. Os erros dele são perdoados com os teus. A Expiação [que significa desfazer o erro] não é mais separada do que o amor. A Expiação não pode ser separada porque ela vem do amor. Qualquer tentativa que fazes de corrigir um irmão significa que acreditas que a correção é possível por teu intermédio, e isso só pode ser a arrogância do ego. A correção é de Deus, Que não conhece arrogância" [T-9.III.7].

Ou então, quando o texto nos chama para a fé, ele diz não haver "nenhum problema em nenhuma situação que a fé não resolva" [T-17.VII.2:1]. Ou, quando o Curso se refere à necessidade de que deixemos tudo a cargo do Espírito Santo, ao dizer que: "Se te falta fé em qualquer pessoa em relação ao papel que ela desempenhará e de forma perfeita em qualquer situação antecipadamente dedicada à verdade, a tua entrega está dividida" [T-17.VII.6:2]. Isto, parece-me, equivale a dizer que, em geral, os problemas que temos de enfrentar se devem apenas a nossa falta de fé em nossos irmãos, que é o mesmo que dizer que não temos fé em nós mesmos e, por consequência e extensão, em Deus.

Por fim, para este comentário, o texto nos alerta para o fato de que enquanto acalentarmos o passado em nossos corações ainda estaremos equivocados a respeito da causa para a falta de fé. Pois acreditar e manter alguma parte do passado em mente significa acreditar que "pensas ter contra teu irmão aquilo que ele fez contra ti. Mas, na verdade, tu o acusas pelo que tu fizeste a ele. Não é o passado dele, mas o teu, que tens contra ele. E te falta fé nele devido ao que tu foste. Entretanto, és tão inocente quanto ao que foste quanto ele" [T-17.VII.8:1-5].

Isto, na prática, quer dizer que nós olhamos para nós mesmos e para o(s) outro(s) a partir de informações [do passado] que já não têm mais significado por serem e terem sido apenas interpretações feitas a partir do falso eu em nós. A pessoa que conhecíamos em nós no passado já não existe mais. Além disso, ao olhar para o mundo com os olhos voltados para o que aprendemos no passado, que já não existe, estamos abrindo mão do poder que temos quando agimos no mundo em sintonia com a força que temos no presente, agora, no único tempo que existe.

Daí a necessidade de praticarmos de forma honesta e sincera a ideia da lição de hoje. Não acham?


sábado, 13 de outubro de 2012

O presente está aberto a todas as possibilidades


LIÇÃO 287

Tu és minha meta, meu Pai. Só Tu.

1. Para onde eu iria, a não ser para o Céu? O que poderia ser um substituto para a felicidade? Que dádiva eu poderia preferir à paz de Deus? Que tesouro eu buscaria, e acharia, e conservaria, que se pudesse comparar a minha Identidade? E será que eu prefiriria viver com medo a viver com amor?

2. Tu és minha meta, meu Pai. O que, a não ser Tu, eu poderia desejar ter? Por que caminho, senão aquele que conduz a Ti, posso desejar andar? E o que, exceto e a lembrança de Ti, pode significar o fim dos sonhos e dos substitutos inúteis para a verdade? Tu és minha única meta. Teu Filho quer ser tal qual Tu o criaste. De que outra maneira a não ser esta eu poderia esperar reconhecer meu Ser e estar em harmonia com minha Identidade?

*

COMENTÁRIO:

Repetindo de forma quase que integral o comentário feito anteriormente para esta lição, volto a lhes dizer que a ideia que vamos praticar neste sábado, dia 13 de outubro, visa a nos lembrar da meta do ensinamento que o Curso nos propõe, qual seja: o autoconhecimento. Pois como o próprio texto afirma, a parte não é diferente do todo. Isto é, a parte é apenas uma das infinitas possibilidades de expressão do todo. E para conhecer o todo basta conhecer por inteiro uma de suas partes, qualquer uma delas. Isto é o mesmo que dizer que, no momento em que nos conhecermos por completo, conheceremos Deus. Teremos, então, alcançado a meta da verdade, a meta que nos propusemos alcançar, quando aceitamos caminhar na direção que o Curso nos orienta.

Para reforçar o que tenho dito às pessoas que participam dos grupos de estudos do UCEM, precisamos voltar nossa atenção para o que nos diz o texto, quando fala a respeito de estabelecer a meta. Vejam lá, no capítulo 17, os sub-capítulos VI, VII e VIII. É preciso que tenhamos bem claro o que queremos aprender de determinada situação. É preciso que saibamos de antemão para que vai nos servir determinada experiência. 

E como se faz isto? Estabelecendo a meta de alinhar nosso propósito ao do Espírito Santo em nós. Para tanto, há que se tomar a decisão de vivê-la para alcançar a verdade - esta e qualquer outra situação que escolhamos experimentar em nossa vida. E, se escolhemos perceber e alcançar a verdade com qualquer situação, ou a partir de toda e qualquer experiência, então é claro que tudo vai passar a fazer sentido. Todas as coisas, pessoas e situações hão de servir para nos levar na direção da meta que estabelecemos para nós mesmos.

Pensemos, mais uma vez por um instante só. Se para Deus não pode existir tempo, nem espaço, nem nenhum lugar específico, diferente de outro qualquer, então, tudo o que existe para Ele é o presente. Aqui e agora. Um presente, que não é um instante que se prolonga indefinidamente até o que chamamos eternidade. Mas um presente que se renova e que se abre a todas as possibilidades a todo momento. Um presente no qual tudo permanece exatamente como é, como sempre foi e como sempre será, porque imutável. Independente de quaisquer experiências que se apresentem. Todas elas são apenas experiências e não afetam o que somos, nem o que Deus é, de forma alguma.

Por isso, como fiz também em anos passados, vale perguntar mais uma vez: será que algum de nós acredita que há alguma outra coisa para se conhecer ou desejar além de nos decidirmos a conhecer Deus? Existirá alguma outra meta além d'Ele? Na verdade, é preciso que pensemos muito seriamente a respeito do que queremos, pois qualquer coisa que nos afaste do estado natural de alegria e de paz completas, não pode ser senão um desejo ligado à ilusão. Um desejo que reforça a crença em uma separação que não existe.

Reconhecer que nossa meta é chegar a Deus, e conhecê-Lo, é reconhecer, aceitar e nos decidirmos pela busca do autoconhecimento como o modo de conhecer Deus. É reconhecer também que não existem outras metas a que possamos dar valor. É também reconhecer que, uma vez estabelecida e aceita, esta meta nos oferece tudo aquilo de que precisamos. Pois é ela que nos permite compreender e aceitar que ainda somos como Deus nos criou e que estamos no Céu, de onde nunca saímos.

Por fim, repetindo o que disse também no ano passado, é sempre bom nos lembrarmos de que, como já citei antes, de acordo com O Livro de Mirdad:


Deus não vos dotou de nenhuma fração de Si - pois Ele é indivisível; mas de toda a sua divindade, indivisível, impronunciável, Ele vos dotou a vós todos. A que maior herança podeis aspirar? E quem ou o que vos impede de vos apossardes dela senão a vossa própria timidez e cegueira?