quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Para qualquer erro há sempre uma correção possível

 

LIÇÃO 28

Acima de tudo quero ver as coisas de modo diferente.

1. Hoje damos, de fato, aplicação específica à ideia de ontem. Nestes períodos de prática, assumirás uma série de compromissos definidos. Não nos interessa agora se os cumprirás no futuro. Se ao menos estiveres disposto a assumi-los agora, deste início ao movimento para mantê-los. E nós ainda estamos no começo.

2. Podes te perguntar por que é importante dizer, por exemplo, "Acima de tudo quero ver esta mesa de modo diferente". Ela não é absolutamente importante em si mesma. Mas o que é por si mesma? E o que significa "em si mesma"? Tu vês muitas coisas separadas a tua volta, o que, de fato, significa que não estás vendo em absoluto. Tu vês ou não. Quando vires uma única coisa de modo diferente, verás todas as coisas de modo diferente. A luz que verás em qualquer uma delas é a mesma que verás em todas.

3. Quando dizes, "Acima de tudo quero ver esta mesa de modo diferente", estás assumindo um compromisso de retirar todas as ideias preconcebidas acerca da mesa e de abrir tua mente para o que ela é e para que ela serve. Tu não a estás definindo em termos passados. Estás perguntando o que ela é, em lugar de lhe dizer o que ela é. Não estás amarrando seu significado a tua experiência diminuta com mesas, nem estás limitando o propósito dela a tuas ideias pessoais insignificantes.

4. Tu não questionarás aquilo que já definiste. E a finalidade destes exercícios é fazer perguntas e receber respostas. Ao dizeres, "Acima de tudo quero ver esta mesa de modo diferente", estás te comprometendo a ver. Não é um compromisso exclusivo. É um compromisso que se aplica tanto à mesa quanto a qualquer outra coisa, nem mais nem menos.

5. Poderias, de fato, obter a visão simplesmente a partir dessa mesa, se estivesses disposto a retirar todas as tuas ideias particulares a respeito dela e a olhar para ela com uma mente completamente aberta. Ela tem algo para te mostrar; algo belo e puro e de valor infinito, cheio de felicidade e esperança. Escondido sob todas as tuas ideias a respeito dela está seu propósito verdadeiro, o propósito que ela compartilha com todo o universo.

6. Portanto, ao usares a mesa como um sujeito para aplicar a ideia para hoje, tu estás realmente pedindo para ver o propósito do universo. Farás este mesmo pedido a cada sujeito que usares nos períodos de prática. E assumes o compromisso com cada um deles de permitir que seu propósito te seja revelado, em lugar de colocar teu próprio julgamento sobre ele.

7. Teremos seis períodos de prática de dois minutos hoje, nos quais primeiro se declara a ideia de hoje e, em seguida, se aplica a ideia a qualquer coisa que vejas ao teu redor. Os sujeitos não só devem ser escolhidos aleatoriamente, mas deve-se atribuir a cada um a mesma sinceridade enquanto se aplica a ideia de hoje a ele, em uma tentativa de reconhecer o valor igual deles todos em sua contribuição para teu ver.

8. Como de costume, as aplicações devem incluir o nome do sujeito que, por acaso, teus olhos encontrarem e deves fixar teus olhos nele enquanto dizes:

Acima de tudo quero ver este _________ de modo diferente.

Cada aplicação deve ser feita bem devagar e tão refletidamente quanto possível. Não há pressa.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 28

Caras, caros,

Como já havíamos visto antes, é preciso que explicitemos nossa decisão de ver e que saibamos da necessidade de mudar a maneira com que olhamos para o mundo e para as coisas e pessoas todas do mundo. Para sermos, de fato, capazes de ver acima de tudo. E para, acima de tudo, vermos as coisas de modo diferente.

Aprendemos já que o significado e o valor de todas as coisas que vemos, e que percebemos também com os outros sentidos do corpo, não pode ser percebido quando olhamos para elas a partir dos filtros que nos oferece o ego, ou "o grande impostor", e seu sistema de pensamento. 

É por isso também que julgo ser interessante que nos disponhamos - quem quiser e achar que deve e pode, é claro - a comentar a respeito das lições que praticamos. Pois cada uma delas "pega" a cada uma, a cada um, de nós de um modo diferente. E se compartilharmos o modo com que vemos as práticas e aquilo que elas nos trazem há grande chance de que nossa experiência sirva para iluminar os caminhos de muitas das pessoas que fazem esta caminhada conosco. 

Agradeço, por isso, mais uma vez por todos os comentários já feitos aqui nestes anos todos pelas nossas colegas e pelos nossos colegas de práticas, Agradeço também a todas e a todos que já conseguiram postar um comentário aqui ou que expressaram uma opinião ou dúvida via mensagem. Continuo, do mesmo modo, a agradecer a visita de todas e de todos, comentem ou não

De acordo com David Hawkins, que já citei aqui:

A prontidão para iniciar a jornada não pode ser forçada; e também não se pode criticar as pessoas se ela [a prontidão] ainda não aconteceu para elas. O nível de consciência tem de ter avançado até o estágio em que tal intenção seja significativa e atraente. Uma vez inspirado, um buscador com frequência irá além de todas as conveniências e estilos de vida costumeiros e sacrificará [no sentido de que ele será capaz de abandonar sem nenhum sacrifício qualquer apego] qualquer coisa que fique no caminho. 

Sempre podemos nos enganar ou nos deixarmos enganar pelo ego. O importante é que saibamos que qualquer erro tem sempre a possibilidade de correção, desde que não o transformemos em "pecado", algo que não existe para o Curso. E que de verdade não existe. Mesmo. A não ser na experiência ilusória de um mundo condenado por aquelas e aqueles que desde tempos remotos se decidiram a exercer um poder ilegítimo sobre seus semelhantes.

Dito isto, então, passemos a explorar juntos a lição e a ideia para as práticas de hoje.

"Acima de tudo quero ver as coisas de modo diferente."

O que pode significar para cada uma e cada um de nós esta afirmação, a afirmação desta ideia, que dá titulo à lição de que nos ocupamos e se oferece as nossas práticas? Pensemos por alguns momentos. Façamos uma pequena pausa. Vamos suspender por um instante os pensamentos e ficar apenas com a ideia: "Acima de tudo quero ver as coisas de modo diferente".

Por quê? Para quê?

A que isso vai me levar? Não estou feliz assim como estou? Não estou satisfeito com minha vida da forma como a percebo e vivo?

Não!?

O que precisa mudar? As pessoas? As coisas? Os acontecimentos? O mundo? Eu?

Não é só a alegria que experimento em todas as situações por que passo? Não é apenas a paz de espírito que me guia em todas as circunstâncias em meus relacionamentos com as pessoas, coisas e acontecimentos do mundo? Não é a certeza de que já estou salvo e de que todas e todos nós também já estamos salvas e salvos, porque continuamos a ser como Deus nos criou?

Não!? 

O que preciso mudar?

A lição traz o seguinte, para começar:

Hoje damos, de fato, aplicação específica à ideia de ontem. Nestes períodos de prática, assumirás uma série de compromissos definidos. Não nos interessa agora se os cumprirás no futuro. Se ao menos estiveres disposto a assumi-los agora, deste início ao movimento para mantê-los. E nós ainda estamos no começo.

Podemos perceber que não há razão para eu (ou qualquer uma ou qualquer um de nós) me preocupar agora com o que vai acontecer depois - no futuro, um tempo que ainda não existe -, a partir de minha (nossa) tomada de decisão. Basta-me [e é o que basta também a cada uma e a cada um de nós], no momento, neste exato momento, estar disposto a assumir este compromisso:

Acima de tudo quero ver as coisas de modo diferente.

Existe algum motivo para eu querer mudar minha forma de ver, meu olhar sobre o mundo, sobre as pessoas, coisas e acontecimentos do, e no, mundo?

Sem dúvida, se pensar com um pouco mais de cuidado do que habitualmente, parece-me que poucas vezes experimento a alegria plena, a paz perfeita e completa - a certeza da salvação -, que são, no dizer do Curso, a Vontade de Deus para mim, assim como também para cada uma e cada um de nós. E para todas e todos nós. É diferente para alguma ou algum de vocês? Vocês vivem a alegria e a paz e para a alegria e para a paz o tempo todo? Todos os dias? Os dias todos?

Então, posso concluir, meu modo de ver, em geral, me afasta da alegria. Impede-me de viver a apenas a paz.

Justifica-se, pois, o que a lição explica a seguir:

Podes te perguntar por que é importante dizer, por exemplo, "Acima de tudo quero ver esta mesa de modo diferente". Ela não é absolutamente importante em si mesma. Mas o que é por si mesma? E o que significa "em si mesma"? Tu vês muitas coisas separadas a tua volta, o que, de fato, significa que não estás vendo em absoluto. Tu vês ou não. Quando vires uma única coisa de modo diferente, verás todas as coisas de modo diferente. A luz que verás em qualquer uma delas é a mesma que verás em todas.

É por isso! Porque estou cego a maior parte do tempo. Não percebo o significado da unidade porque estou preso à crença em uma separação que, em realidade, não pode ser verdadeira. Já tive experiências da unidade. Sim! Já experimentei momentos em que tudo - aparentemente do nada - pareceu fazer sentido. E fez. E faz.

Como posso dizer que sei disso? Porque, sem sombra de dúvida, já vivi momentos de plena alegria. Esquecido de qualquer separação ou julgamento. E já naveguei pela vida ao sabor das ondas de uma paz de espírito que só se pode dever à certeza - naqueles momentos pelo menos - de que me entreguei à Vontade de Deus em mim, ao divino em mim, abandonando quaisquer preconceitos. Quem nunca?

Não estará aí uma boa razão para eu dizer:

Acima de tudo quero ver as coisas de modo diferente?

A lição nos oferece mais argumentos em favor de tal decisão:

Quando dizes, "Acima de tudo quero ver esta mesa de modo diferente", estás assumindo um compromisso de retirar todas as ideias preconcebidas acerca da mesa e de abrir tua mente para o que ela é e para que ela serve. Tu não a estás definindo em termos passados. Estás perguntando o que ela é, em lugar de lhe dizer o que ela é. Não estás amarrando seu significado a tua experiência diminuta com mesas, nem estás limitando o propósito dela a tuas ideias pessoais insignificantes.

Conforme o que as lições ensinaram até aqui, se prestamos atenção suficiente, isto é, toda a atenção de que somos capazes, são minhas ideias preconcebidas, ou aquilo que trago do passado, que me impedem de ver, não é certo?

Como vimos também, lembrando das primeiras lições que praticamos, dar nome às coisas é separar, é reforçar a crença num mundo de coisas, e pessoas, separadas umas das outras, que dificilmente encontram qualquer proximidade, que raramente são capazes de comunhão, de unidade.

Acima de tudo que ver as coisas de modo diferente.

A lição continua a explicitar por que razão é necessário que escolhamos mudar nossa forma de ver:

Tu não questionarás aquilo que já definiste. E a finalidade destes exercícios é fazer perguntas e receber respostas. Ao dizeres, "Acima de tudo quero ver esta mesa de modo diferente", estás te comprometendo a ver. Não é um compromisso exclusivo. É um compromisso que se aplica tanto à mesa quanto a qualquer outra coisa, nem mais nem menos.

Ora, definir é limitar, aprisionar a coisa definida num conceito, num limite que, muitas vezes, consideramos imutável e definitivo. Não é assim que nos referimos às pessoas que "conhecemos": Fulano é assim, Beltrano é assado. Sicrana tem este e aquele problemas. Ela é incapaz de mudar. Não faz nenhum esforço para me entender. Ele não é capaz de ouvir. Homens são assim mesmo. Todos iguais. As mulheres são muito isto ou muito aquilo, volúveis, instáveis, inconstantes. E por aí a fora?

Vale lembrar de novo, como o Curso o fez alguns dias atrás, em relação a nosso modo de construir as imagens que povoam o mundo, e derivam de, isto é, têm origem, nos nossos pensamentos: "Isso não é ver. É fazer imagens". É separar. 

Acima de tudo quero ver as coisas de modo diferente.

Fiquemos atentas e atentas à possibilidade de ver de fato, a partir de nossa decisão de ver as coisas de modo diferente acima de tudo.

A lição abre um mundo inteiramente novo a nossos olhos, a nossos sentidos todos. Caso estejamos dispostas e dispostos ao compromisso, e a mantê-lo, uma vez assumido, vamos ver se descortinar em nossa vida toda a beleza, toda a alegria e toda a paz, que estão escondidas de nossos olhos em cada uma das coisas sobre as quais pousamos nosso olhar.

Vamos respirar novos ares, aspirar perfumes e fragrâncias desconhecidos, sem lhes impor quaisquer julgamentos. Ouviremos as mais belas melodias no ar. Canções que nos falam diretamente ao coração, sem que pensemos em reduzi-las a nenhum conceito. Tocaremos coisas e pessoas com o prazer de tocar um objeto amado ou desejado por muito tempo como se fosse a vez primeira.

E provaremos aquilo que o mundo nos oferece experimentando como que pela primeira vez, a cada vez, todo o sabor do alimento e da bebida que se preparam para os deuses, ou para as filhas e os filhos de Deus. 

Às práticas?

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Levar-nos à alegria é o propósito final dessas práticas

 

LIÇÃO 27

Acima de tudo eu quero ver.

1. A ideia de hoje exprime algo mais forte do que simples determinação. Ela dá prioridade à visão entre teus desejos. Podes te sentir hesitante quanto a usar a ideia, com base em que não tens certeza de que é isto que queres realmente. Isto não importa. O objetivo dos exercícios de hoje é fazer chegar mais perto o momento em que a ideia será inteiramente verdadeira.

2. Pode haver uma grande tentação em acreditares que se pede a ti algum tipo de sacrifício, quando dizes que queres ver acima de tudo. Se ficares inquieto em relação à falta de reservas pressuposta, acrescenta:

A visão não custa nada a ninguém.

Se o medo da perda ainda persistir, acrescenta ainda:

Ela só pode abençoar.

3. A ideia de hoje precisa de muitas repetições para o máximo aproveitamento. Ela deve ser usada pelo menos a cada meia hora, e mais se possível. Poderias tentar usá-la a cada quinze ou vinte minutos. Recomenda-se que, quando acordares ou pouco depois, estabeleças um intervalo de tempo definido para o uso da ideia e que tentes ser fiel a ele do início ao fim do dia. Não será difícil fazer isso mesmo se estiveres ocupado conversando ou ocupado de outra maneira no momento. Ainda assim, podes repetir uma frase curta para ti mesmo sem perturbar coisa alguma.

4. A questão verdadeira é quantas vezes tu te lembrarás? Quanto queres que a ideia de hoje seja verdadeira? Responde a uma destas perguntas e terás respondido à outra. É provável que percas várias aplicações e, talvez um número bastante grande delas. Não te incomodes com isto, mas tenta prosseguir em teu horário daí por diante. Se ao menos uma vez durante o dia sentires que foste totalmente sincero enquanto repetias a ideia de hoje, podes ter certeza de que poupaste muitos anos de esforço a ti mesmo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 27

"Acima de tudo eu quero ver."

Caras, caros,

Como eu já disse antes, uma vez que nossas práticas até aqui já abriram algumas clareiras na floresta fechada de nossos pensamentos e apresentaram inúmeras possibilidades para nos levar à conclusão da necessidade de mudarmos a forma de pensar nosso viver no mundo e também o modo de que nos valemos para olhar para ele e para nós mesmas e nós mesmos, chegou, hoje, o momento de reforçar a decisão que tomamos com as lições de números 20 e 21, [Eu estou decidido a ver.] e [Eu estou decidido a ver de modo diferente.], lembram? O que acham? Estão prontas, prontos?

"Acima de tudo eu quero ver."

Forte isto, não? Paremos por um instante. Vamos refletir com vagar por alguns momentos, acerca daquilo que a ideia apresenta. 

"Acima de tudo eu quero ver." 

Será que é isso mesmo? Ver! O que será que quero, acima de tudo? Já me perguntei isto? Que resposta obtive?

O que diz a lição?

A ideia de hoje exprime algo mais forte do que simples determinação. Ela dá prioridade à visão entre teus desejos...

Já passamos por algo parecido a isso dias atrás, com as lições 20 e 21, de que falei no início, em que praticamos as ideias: [Estou decidido a ver.] e [Estou decidido a ver de modo diferente.], não é mesmo? E entendemos - ? - que a ideia então era, de fato, um momento para se tomar a decisão. E entendemos - ? - a necessidade da tomada de decisão, porque nos percebemos cegas, cegos, num mundo em que nada faz nenhum sentido, não é mesmo?

Mesmo assim, muitas e muitos de nós relutam a tomar a decisão. Pensamos - como muitas vezes, e em relação a várias coisas diferentes em nossa vida: "posso fazer isso depois, ainda tenho muito tempo". Não é? Mas será que há mesmo muito tempo? Para mim? Para ti? Para nós?

*

Pausa para uma historinha:

Existe um conto indiano que narra a seguinte história:
Um discípulo procura o seu mestre e lhe pergunta:
-  mestre, qual é o seu segredo para nunca se enfurecer e ser sempre amável?
E o mestre lhe respondeu:
-  não sei se posso falar sobre o meu segredo, mas eu sei qual é o seu...
E o discípulo curioso, perguntou:
- e qual é o meu segredo?
Compenetrado, o mestre disse: você vai morrer em uma semana.
Assustado com as palavras do mestre, o discípulo procurou, na semana seguinte, tratar os amigos e os familiares com muita afeição e, no sétimo dia, deitou-se em sua cama e pediu que chamassem o seu mestre.
Quando este chegou, o discípulo lhe disse: “abençoe-me, sábio mestre, pois estou morrendo”.
Após abençoar o discípulo, o mestre lhe perguntou: “e como você passou a semana? Brigou com a família, com os amigos?”
E o discípulo lhe respondeu: “obviamente que não. Eu os amei intensamente.”
Após ouvir isso, o mestre lhe falou: você acabou de descobrir o meu segredo. Eu sei que posso morrer a qualquer momento, por isso, procuro ser sempre amável com todas as pessoas de minhas relações.”
Como você vai passar seu dia? Sua semana? Sua vida? 

*

Continuando:
Por quanto tempo vamos adiar nossa decisão?
"Acima de tudo eu quero ver."

Vamos, pois, refletir a respeito do que nos diz a lição:

A ideia de hoje exprime algo mais forte do que simples determinação. Ela dá prioridade à visão entre teus desejos. Podes te sentir hesitante quanto a usar a ideia, com base em que não tens certeza de que é isto que queres realmente. Isto não importa. O objetivo dos exercícios de hoje é fazer chegar mais perto o momento em que a ideia será inteiramente verdadeira.

O que talvez ainda não tenhamos nos dado conta - e que está lá na introdução ao livro de exercícios e deve funcionar - e funciona - como o primeiro passo para o exercício de abandonar o julgamento - é a instrução para que apliquemos as ideias que as lições nos oferecem independente da forma com que as percebemos, do modo como nos sentimos em relação a elas.

Isto é muito importante!

Não acreditamos que somos muitas vezes em nossas vidas "aparentemente" forçadas e forçados, por assim dizer, a fazer coisas de que não gostamos? Quer porque o patrão manda, quer porque nossos pais nos mandaram, quer porque a sociedade nos pede que ajamos desta ou daquela maneira? E, na maioria das vezes, porque o mundo, ou pelos meios de comunicação, ou a partir dos grupos sociais de que fazemos parte, ou pela educação que recebemos, nos treina para seguirmos apenas determinados caminhos, esperando que nos portemos de modo obediente e sirvamos a um sistema que só faz reforçar a crença na separação e trata a todas e todos nós como gado a ser levado ao matadouro para o abate, e para aumentar o lucro dos que detêm o poder que dá o dinheiro, ou um cargo público, ou uma profissão pública. 

O mundo do ego, o mundo do falso eu, não quer nos dar a chance de escolher de verdade aquilo que nos faz felizes, livres. Um punhado de pessoas, ao longo da história, pelo que sabemos, se rebelou e buscou uma forma de viver livre para a construção da própria felicidade, pensando ainda que todas as pessoas deveriam dar prioridade à própria felicidade e à de seus semelhantes, parentes, amigos, estendendo esta aspiração de liberdade e felicidade para todas as pessoas do mundo. Essas pessoas, rebeldes, por assim dizer, foram torturadas, mortas nas fogueiras, ou crucificadas, ou simplesmente desapareceram no mato, como disse um professor de história em uma aula que tive à noite de um desses últimos dias, em um desses últimos anos. Suas histórias, do modo que se diz hoje, foram deletadas para que não nos contagiassem com a ideia de que é possível ser livre acima das vontades que não sejam apenas a nossa - a de cada uma, a de cada um.

"Acima de tudo eu quero ver."

Como explica a lição:

Pode haver uma grande tentação em acreditares que se pede a ti algum tipo de sacrifício, quando dizes que queres ver acima de tudo...

É mais ou menos como nos casos que destaquei acima. Podemos pensar que fazer determinadas coisas, em função do que nos pede o mundo, é um ataque a nosso livre arbítrio, um ataque a nossa vontade, um ataque a nossa liberdade de decidirmos por nós mesmas ou por nós mesmos o que queremos.

Grande equívoco! Jung dizia que livre arbítrio é aprender a fazer com alegria aquilo que temos de fazer. Ou, pensando no que o Curso diz, "a percepção é uma escolha e não um fato". Isto é, pensemos o que quer que pensemos, as experiências que escolhemos viver vão se apresentar, apesar de acharmos que o que queríamos não era, ou não foi, aquilo que se apresentou.

É isso!

"Acima de tudo eu quero ver."

Vejamos, pois:

Pode haver uma grande tentação em acreditares que se pede a ti algum tipo de sacrifício, quando dizes que queres ver acima de tudo. Se ficares inquieto em relação à falta de reservas pressuposta, acrescenta:

A visão não custa nada a ninguém.

Se o medo da perda ainda persistir, acrescenta ainda:

Ela só pode abençoar.

Reforcemos: A visão não custa nada a ninguém. Ela só pode abençoar. Sempre que tomamos a decisão de fazer alguma coisa, qualquer coisa, para resolver uma questão que nos perturbe, essa decisão, essa atitude, abre caminho para uma mudança na energia de que nos valemos em relação àquela questão. O universo inteiro se movimenta para nos auxiliar a resolver aquilo que nos impede de viver a alegria.

Acima de tudo eu quero ver.

Não precisamos ficar preocupadas, preocupados, receosas, receosos, ou temer pelos resultados de nossa decisão de ver. Acima de tudo.

A visão não custa nada a ninguém.
Ela só pode abençoar.

Quando paramos para olhar de perto qualquer questão que nos aflige, abrindo-nos à razão, àquilo que sabemos existir em nós, que é capaz de resolver qualquer coisa que nos incomode, dizemos muitas vezes: "agora eu entreguei a Deus. Cansei. Não sei mais o que fazer. Só um milagre pode me ajudar". Não é assim com vocês?

Em geral, o que acontece a seguir é que tudo se resolve de forma aparentemente inexplicável. Um milagre!

O que aconteceu?

Aconteceu que deixamos de lutar pelo controle, entendemos e aceitamos que não temos resposta para tudo - porque nem tudo tem resposta -, e que não sabemos mesmo o que é melhor para nós em praticamente nenhuma ocasião. Isto também é o que nos ensinou uma lição recente: Eu não percebo meus maiores interesses. Por que então insistir em lutar contra o que quer que seja? Por que resistir a abrir mão das respostas do falso eu, do "grande impostor"?

"Acima de tudo eu quero ver."

Sempre que tomamos uma decisão em nossas vidas, estabelecendo um objetivo que desejamos atingir, buscamos saber de antemão que movimentos serão necessários para se "chegar lá". E é claro que nos preparamos da melhor forma possível para não sofrer com nada daquilo que precisamos fazer para a consecução do objetivo. Sabemos que se advier qualquer sofrimento - a ideia de sacrifício - seremos tentadas e tentados a desistir.

De quantas coisas já desistimos? E por quê?

"Acima de tudo eu quero ver."

Tudo está relacionado à alegria. A alegria é a condição natural do filho de Deus, de cada uma e de cada um de nós, de todas e de todos nós. A tomada de decisão, sabemos, visa a, a partir do objetivo que traçamos, nos levar a uma condição que vai, diferente daquela que vivemos agora, nos oferecer mais alegria. 

Dizendo de outro modo, quando desejamos mudar alguma coisa em nossas vidas, sempre o fazemos porque algo ou alguém [invariavelmente nós mesmas, nós mesmos e nosso modo de pensar equivocado], a nosso modo de ver, nos está impedindo de viver aquela alegria de que nos sabemos - ainda que na maioria das vezes de forma inconsciente - merecedoras e merecedores.

E onde está esse algo? Esse alguém? Fora de nós? No mundo? É outra pessoa? Está na situação que vivemos? Nas circunstâncias que nos cercam? Em casa? No lugar onde vivemos? Podemos nos perguntar a respeito de inúmeras outras razões a que atribuímos nossas insatisfações, sejam quais forem elas.

"Acima de tudo eu quero ver."

É claro que sabemos da necessidade de repetir para nós mesmas e para nós mesmos o quanto estamos certas, ou certos, ao tomar qualquer decisão. E, com a decisão de ver "acima de tudo", como a lição ensina, não é diferente.

Vejamos:

A questão verdadeira é quantas vezes tu te lembrarás? Quanto queres que a ideia de hoje seja verdadeira? Responde a uma destas perguntas e terás respondido à outra. É provável que percas várias aplicações e, talvez um número bastante grande delas. Não te incomodes com isto, mas tenta prosseguir em teu horário daí por diante. Se ao menos uma vez durante o dia sentires que foste totalmente sincero enquanto repetias a ideia de hoje, podes ter certeza de que poupaste muitos anos de esforço a ti mesmo.

A mudança de nosso modo de pensar, a escolha de abrir mão do controle, a aceitação de que os pensamentos que temos não significam coisa alguma, a compreensão e o reconhecimento de que não somos capazes de perceber nossos maiores interesses e de que não sabemos para que serve coisa alguma e todas as outras ideias que praticamos até aqui, aplicadas, só podem nos pôr em contato com a alegria e abençoar todas as coisas no mundo.

Mas precisamos de fato responder, apenas para nós mesmas e para nós mesmos, honestamente e com determinação, às questões postas no início do quarto parágrafo da lição:

A questão verdadeira é quantas vezes tu te lembrarás? 
Quanto queres que a ideia de hoje seja verdadeira? 

Cabe tão somente a nós mesmas e a nós mesmos escolher viver só a alegria, repetindo o que eu já disse tantas vezes. Uma vez feita esta escolha é possível entender a frase de uma antiga canção de Vinicius de Moraes que, em sintonia com o que o Curso ensina a respeito do tempo diz: "a coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais". Algo que tem muito a ver também com o conto do mestre e seu discípulo na pausa para a historinha contada acima. Não lhes parece? 

Às práticas?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

São sempre do ego todos os pensamentos de ataque

 

LIÇÃO 26

Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

1. É certamente óbvio que, se podes ser atacado, não és invulnerável. Tu vês o ataque como uma ameaça real. Isto acontece em razão de acreditares que podes, de fato, atacar. E aquilo que teria efeitos por teu intermédio também tem de ter efeitos sobre ti. É esta lei que, em última instância, te salvará, mas tu a estás utilizando de modo equivocado agora. Por isto, tu tens de aprender de que modo ela pode ser usada em favor de teus maiores interesses mais do que contra eles.

2. Uma vez que teus pensamentos de ataque serão projetados, terás medo do ataque. E, se temes o ataque, tens de acreditar que não és invulnerável. Por esta razão, os pensamentos de ataque te tornam vulnerável em tua própria mente, que é o lugar aonde estão os pensamentos de ataque. Pensamentos de ataque e invulnerabilidade não podem ser aceitos simultaneamente. Eles se contradizem.

3. A ideia para hoje apresenta o pensamento segundo o qual tu sempre atacas a ti mesmo primeiro. Se os pensamentos de ataque impõem a crença de que és vulnerável, seu efeito é o de enfraquecer tua percepção de ti mesmo. Deste modo eles atacam tua percepção de ti mesmo. E, por acreditares neles, não podes mais acreditar em ti mesmo. Uma imagem falsa de ti mesmo vem tomar o lugar daquilo que tu és.

4. A prática com a ideia de hoje te ajudará a compreender que a vulnerabilidade, ou a invulnerabilidade, é o resultado de teus próprios pensamento. Nada exceto teus pensamentos pode te atacar. Nada exceto teus pensamentos pode te fazer pensar que és vulnerável. E nada exceto teus pensamentos pode provar para ti mesmo que isto não é verdade.

5. Pede-se seis períodos de prática para a aplicação da ideia de hoje. Deve-se tentar dois minutos inteiros para cada um deles, embora o tempo possa ser reduzido para um minuto se o desconforto for grande demais. Não o reduzas mais do que isso.

6. Deves começar o período de prática repetindo a ideia para hoje, fechando os olhos, em seguida, e revisando as questões não-resolvidas, cujos resultados estão sendo causa de inquietação para ti. A inquietação pode tomar a forma de depressão, angústia, raiva, uma sensação de inconveniência, medo, pressentimento e fixação. Qualquer problema ainda indefinido que tenda a voltar a teus pensamentos durante o dia é um sujeito adequado. Tu não serás capaz de utilizar um número muito grande em qualquer um dos períodos de prática, porque deve-se dedicar a cada um um tempo maior do que o de costume. A ideia de hoje deve ser aplicada da seguinte forma: 

7. Primeiro, cita a situação:

Eu estou preocupado com ____________ .

Em seguida, examina cada resultado possível que ocorra em relação a isso e que te cause preocupação, referindo-te a cada um de modo bem específico, dizendo:

Tenho medo de que ________________ aconteça.

8. Se estiveres fazendo os exercícios de forma adequada, deves encontrar cerca de cinco ou seis possibilidades aflitivas à disposição para cada situação que usares, e é bastante provável achares mais. É muito mais proveitoso examinar por completo algumas poucas situações do que tatear em um número maior. À medida que a lista de resultados previstos para cada situação continuar, é provável que aches alguns deles menos aceitáveis, especialmente aqueles que te ocorrerem perto do final. Na medida do possível para ti, porém, tenta tratar todos do mesmo modo.

9. Depois de citares cada resultado do qual tenhas medo, dize a ti mesmo:

Este pensamento é um ataque contra mim mesmo.

Conclui cada período de prática repetindo a ideia de hoje para ti mesmo mais uma vez.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 26

"Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade."

Caras, caros,

Comecemos a exploração de hoje com um texto retirado do livro A ridícula ideia de nunca mais te ver, da escritora espanhola Rosa Montero. Diz o seguinte:

Como é difícil a relação com o nosso organismo. Somos nosso corpo, mas não podemos evitar a sensação de alteridade, de estranheza, de reféns da própria carne. Em certos casos patológicos, (...) as pessoas não são capazes de reconhecer seus braços, suas pernas, seu rosto, e chegam a se mutilar. Mas não é preciso estar doente para sentir esse distanciamento do físico: daí o ser humano ter inventado a alma. A ideia de que somos espíritos presos dentro de um invólucro carnal é tão poderosa, tão persuasiva, que você tende a pensar assim mesmo que não seja crente.

Não é bem verdade o que ela diz? Ou melhor, não lhes parece ser a mais pura verdade o que a escritora diz?
E qual é a relação entre o que ela diz e a ideia para nossas práticas hoje? Haverá alguma?

É claro que muitas e muitos de nós, já com uma certa familiaridade com o ensinamento, vão perceber de cara que ao dizer "somos nosso corpo", ela está contrariando o que o Curso diz a respeito do que somos de fato. Porém, logo adiante, falando da alteridade e da estranheza que experimentamos todas e todos nós por vezes na relação com o corpo, ela fala da invenção da alma, da ideia de que somos espíritos habitando corpos. Uma ideia poderosa.
E mesmo que não acreditemos somos tentadas e tentados a pensar assim, não é mesmo?

Isto está relacionado à invulnerabilidade. Somente os corpos são vulneráveis. O que somos na verdade não pode ser atacado, e a ideia de sermos espíritos é a ideia mais poderosa que podemos alimentar. É só o ego que quer que acreditemos que somos apenas corpos e que tudo o que podemos apreender do mundo vem tão somente da percepção dos sentidos.

Ora, sendo espírito, acreditando-nos espíritos, podemos abraçar a ideia de que somos todas e todos um e de que não podemos atacar de fato nem uma única pessoa daquelas que povoam o mundo conosco, porque nada do que fizermos a elas vai mudar o que elas são na verdade. Os pensamentos de ataque são do ego. Só o ego pode pensar em atacar, mas tudo o que ele pode atacar, na ilusão, são os corpos. Assim, não há como ninguém ter sua invulnerabilidade ameaçada, a não ser na ilusão de que o ataque a ela é possível.

Somos espírito. É este pensamento que devemos cultivar e alimentar em nós. Todo e qualquer pensamento de ataque fere em primeiro lugar àquela ou àquele que o teve. Fere o ego. Mas nunca sua invulnerabilidade. Para aprender isso praticamos.

Às práticas?

domingo, 25 de janeiro de 2026

É o fim de todas as coisas que lhes dá um significado

 

LIÇÃO 25

Eu não sei para que serve coisa alguma.

1. Propósito é significado. A ideia de hoje explica por que nada do que vês significa coisa alguma. Tu não sabes para que servem as coisas. Por isto, elas não têm significado para ti. Tudo serve a teus maiores interesses. É para isto que todas as coisas servem; é este o propósito delas; é isto o que todas as coisas significam. É no reconhecimento disto que tuas metas se tornam harmoniosas. É no reconhecimento disto que aquilo que vês se reveste de significado.

2. Tu percebes o mundo, e tudo nele, como significativo em termos das metas do ego. Essas metas não têm nada a ver com teus maiores interesses, porque tu não és o ego. Esta identificação falsa te torna incapaz de compreender para que serve qualquer coisa. Por consequência, estás fadado a fazer mau uso delas. Quando acreditares nisto, tentarás retirar as metas que estabeleceste para o mundo, em vez de tentar reforçá-las.

3. Outra maneira de descrever as metas que percebes agora é dizer que todas elas estão relacionadas a interesses "pessoais". Uma vez que não tens nenhum interesse pessoal, tuas metas, de fato, estão relacionadas ao nada. Por esta razão, quando as valorizas, não tens absolutamente nenhuma meta. E, deste modo, não sabes para que serve coisa alguma.

4. Antes que possas retirar qualquer sentido dos exercícios para hoje, é necessário mais um pensamento. Nos níveis mais superficiais tu, de fato, reconheces o propósito. Mas o propósito não pode ser compreendido nestes níveis. Por exemplo, compreendes, de fato, que um telefone serve ao propósito de falar com alguém que não esteja fisicamente próximo de ti. O que não compreendes é para que queres alcançá-lo. E é isto que torna teu contato com ele significativo ou não.

5. É vital para teu aprendizado que estejas disposto a desistir das metas que estabeleceste para todas as coisas. O reconhecimento de que elas não fazem sentido, e de que não são "boas" ou "más", é o único jeito de realizar isto. A ideia para hoje é um passo nesta direção.

6. Pede-se seis períodos de prática, cada um com dois minutos de duração. Cada período deve começar com uma repetição lenta da ideia para hoje, seguida de um olhar a tua volta deixando que teu olhar se fixe em qualquer coisa que capte teus olhos casualmente, perto ou longe, "importante" ou "sem importância", "humana" ou "não-humana". Com teus olhos fixos em cada sujeito que selecionares deste modo, dize por exemplo:

Eu não sei para que serve esta cadeira.
Eu não sei para que serve este lápis.
Eu não sei para que serve esta mão.

Dize isto bem devagar, sem deslocar teus olhos do sujeito até completares a declaração a respeito dele. Em seguida, passa para o próximo e aplica a ideia de hoje como antes.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 25

"Eu não sei para que serve coisa alguma."

Caras, caros,

A ideia que vamos praticar hoje, mais uma vez, está diretamente relacionada à das práticas de ontem, assim como estão ligadas todas as ideias que praticamos, no sentido de que, como o próprio Curso afirma, apenas uma delas, qualquer que seja, compreendida inteiramente e aplicada de forma comprometida e honesta, já é o bastante para a nossa salvação e para a salvação do mundo inteiro.

É necessário, sem sombra de dúvida, que reconheçamos não saber nada, para que qualquer aprendizagem tenha início. Já na introdução do livro de exercício somos informadas e informados de que as práticas diárias são um treinamento para a mente. E parece-me ser óbvio que aquela pessoa que pensa saber tudo não pode aprender nada. Não acham?

Nas primeiras lições somos levados a questionar o significado do mundo, o significado das coisas do mundo e o significado de nossos pensamentos. 

São eles que dão ao mundo todo o significado que o mundo tem para nós, não é mesmo? 

Ora, hoje vamos nos defrontar com a ideia de que o que dá significado às coisas é sua finalidade, sua serventia, por assim dizer. Se não sabemos para que serve alguma coisa, ela não tem qualquer significado para nós. Um filme que assisti há bastante tempo serve de exemplo a isto. Seu título: "Ping Pong na Mongólia". O filme mostra uma criança que, vivendo numa região desértica da Mongólia, lá um belo dia, "do nada", como se diz, encontra uma bolinha de pingue-pongue. E arma-se toda uma confusão na vida dela porque ninguém em sua comunidade sabe para que serve aquela coisa. 

Pensando, entretanto, que todas as coisas cooperam para o bem, podemos imaginar que todas as coisas devem servir a nossos maiores interesses, que, em contrapartida, não sabemos quais são, conforme a lição de ontem.

De modo geral, o significado que atribuímos às coisas todas está relacionado às metas do ego, o que não tem nada a ver, na maioria dos casos, com nossos maiores interesses. Nossa falsa identificação com o ego é o que nos impede de perceber para que servem, de fato, as coisas. Assim, é bem possível que façamos mau uso delas.

Também costumamos pensar nas coisas, em sua utilidade e finalidade, como estando relacionadas a nossos interesses pessoais, o que é uma falácia. Porque não temos, nenhuma - e nenhum  - de nós tem, interesse "pessoal". 

Todos os nossos interesses estão atrelados aos interesses de todas as pessoas e de tudo o que existe no mundo. Porque qualquer coisa que fazemos se reflete na vida de todas as pessoas, muitas vezes até na vida de pessoas com quem nunca tivemos nenhum contato. E também das coisas do mundo, animadas ou inanimadas.

É verdade que nos níveis mais superficiais de nossa experiência podemos compreender a serventia de algumas poucas coisas. Um telefone, por exemplo, como a lição nos traz, que serve para nos pôr em contato com alguém que não esteja fisicamente próximo.

As razões mais profundas, no entanto, para que este contato se faça nos escapam, por mais que acreditemos saber por que estamos ligando para uma pessoa. Só estas razões, de verdade, é que podem dar significado e sentido ao contato. Ou não.

Tudo vai depender de a quem nos alinhamos: ao ego, ou ao divino interior.

Às práticas?

sábado, 24 de janeiro de 2026

Estamos sempre, nós, humanos, à mercê da falsidade

 

LIÇÃO 24

Eu não percebo meus maiores interesses.

1. Não percebes claramente que resultado te faria feliz em nenhuma situação que surja. Por isto, tu não tens nenhum guia para a ação apropriada e nenhum modo de julgar o resultado. O que fazes é determinado por tua percepção da situação e essa percepção está errada. É inevitável, então, que não vás atender a teus maiores interesses. No entanto, eles são tua única meta em qualquer situação percebida de modo correto. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

2. Se te desses conta de que não percebes teus maiores interesses, poder-se-ia ensinar-te quais são eles. Mas, diante de tua convicção de que sabes quais eles são, não podes aprender. A ideia para hoje é um passo na direção da abertura de tua mente a fim de que o aprendizado possa começar.

3. Os exercícios para hoje pedem muito mais honestidade do que estás acostumado a usar. Alguns poucos sujeitos, considerados honesta e cuidadosamente em cada um dos cinco períodos de prática que devem ser empreendidos hoje, serão mais úteis do que um exame mais superficial de um número grande deles. Sugere-se dois minutos para cada um dos períodos de exame mental que os exercícios envolvem.

4. Os períodos de prática devem começar com a repetição da ideia de hoje, de olhos fechados, seguida pelo exame mental em busca de situações não resolvidas acerca das quais estejas preocupado atualmente. A ênfase deve estar em descobrir o resultado que queres. Rápido perceberás com clareza que tens em mente várias metas como parte do resultado desejado e também que essas metas estão em níveis diferentes e que, muitas vezes, são antagônicas.

5. Ao aplicares a ideia para hoje, cita cada situação que te ocorrer e depois lista cuidadosamente o maior número possível de metas que gostarias que fossem alcançadas na sua resolução. A forma de cada aplicação deve ser mais ou menos a seguinte:

Na situação que envolve _________, eu gostaria que ________
acontecesse, e que __________ acontecesse,

e assim por diante. Tenta incluir tantos tipos diferentes de resultado quantos realmente possam te ocorrer, mesmo que alguns deles não pareçam estar diretamente relacionados à situação ou que nem mesmo pertençam a ela de forma alguma.

6. Se estes exercícios forem feitos de modo correto, reconhecerás rapidamente que fazes um grande número de exigências da situação, que não têm nada a ver com ela. Também reconhecerás que muitas de tuas metas são contraditórias, que não tens nenhum resultado harmonioso em mente, e que terás de te frustrar em relação a algumas de tuas metas independentemente de como a situação se resolva.

7. Depois de examinares a lista do maior número possível de metas almejadas para cada situação não resolvida que passar por tua mente, dize a ti mesmo:

Eu não percebo meus maiores interesses.

e passa para a seguinte.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 24

"Eu não percebo meus maiores interesses."

Caras, caros,

Como de costume, vamos continuar a refletir e a analisar de forma aberta as possibilidades que as lições do Curso nos oferecem dia a dia. Combinado?

Em perfeita sintonia com o que o Curso ensina e também com a ideia para as nossas práticas de hoje, David Hawkins, em livro que li há algum tempo, com o qual fiquei completamente encantado e de que lhes falei também nalguns comentários anteriores para esta lição, diz: 

"O problema básico da humanidade é que a mente humana é incapaz de distinguir a verdade da falsidade. Ela não pode diferenciar o 'bem' do 'mal'. Sem nenhum meio para sua autoproteção, os humanos estão à mercê da falsidade em todos os seus disfarces enganadores, que desfilam como patriotismo, religião, o bem social, diversão inocente, etc."

Não lhes parece que isso é exatamente a mesma coisa que a ideia da lição de hoje quer que reconheçamos?

Além disso, eu diria, a mente humana não tem a menor ideia do que seja o propósito da vida. Haverá algum? É por esta razão que as práticas são necessárias. Não que elas possam dar sentido à vida. Pelo menos não da maneira que o ego pensa na vida.

O que as práticas podem fazer, talvez seja dar, a cada uma e a cada um de nós, um norte, uma direção na qual caminhar. O que não é pouca coisa.

Ocupamo-nos a maior parte do tempo da vida das outras pessoas, que circulam por nosso mundo. O que faz Fulano, o que Sicrano não faz, o que Beltrano. Ou o que fazem ou deixam de fazer Fulana, Sicrana ou Beltrana, sem perceber que isso não nos leva a nada. Ao contrário, isto só nos leva a adiar o momento em que vamos parar para refletir acerca do que estamos fazendo com nossa própria vida.

Depois do advento das mídias eletrônicas, da rede e dos relacionamentos virtuais, em que todas as pessoas passam a ficar sabendo instantaneamente, por assim dizer, praticamente tudo o que acontece no mundo da ilusão, acrescentamos mais ilusão sobre as ilusões, deixando-nos convencer por notícias que nem sempre espelham a verdade. Para não dizer quase nunca.

Quando vamos parar para refletir acerca de nossos maiores interesses, a respeito daquilo que nos pode trazer a alegria, a felicidade, a paz de espírito?

Vocês não se sentem sob uma carga enorme de pressão por aquilo que as mensagens dos grupos, as postagens das pessoas, os cursos, os livros, as coisas que o mundo virtual oferecer para que compremos, a ansiedade para ver toda e qualquer notícia sobre alguém que conhecemos, às vezes até sobre alguém que não conhecemos, mas que aparece em nossos grupos?

Será que isso tudo faz parte de nossos maiores interesses?

Oxalá as práticas com a ideia de hoje possa responder a esta e a outras questões para trazer luz a nossa vida.

Às práticas?