domingo, 25 de setembro de 2016

Quanto tempo até entendermos a Vontade Deus?


5. O que é o corpo?

1. O corpo é uma cerca que o Filho de Deus imagina ter construído para separar partes de seu Ser de outras partes. É dentro desta cerca que ele pensa viver para morrer quando ela enfraquecer e se deteriorar. Pois dentro desta cerca ele pensa estar a salvo do amor. Identificando-se com sua segurança, ele percebe a si mesmo como aquilo que sua segurança é. De que outra forma ele poderia ter certeza de que permanece no interior do corpo e de que mantém o amor do lado de fora?

2. O corpo não permanecerá. Mas ele vê isto como segurança em dobro. Pois a impermanência do Filho de Deus é "prova" de que suas cercas funcionam e cumprem a tarefa que sua mente atribui a elas. Pois, se sua unidade ainda permanecesse intocada, quem poderia atacar e quem poderia ser atacado? Quem poderia ser vitorioso? Quem poderia ser sua presa? Quem poderia ser vítima? Quem o assassino? E, se ele não morresse, que "prova" haveria de que o Filho de Deus pode ser destruído?

3. O corpo é sonho. Igual a outros sonhos, algumas vezes ele parece retratar a felicidade, mas pode bem repentinamente retroceder para o medo, onde nascem todos os sonhos. Pois só o amor cria na verdade e a verdade nunca pode ter medo. Criado para ser medroso, o corpo tem de servir ao propósito que lhe foi dado. Mas nós podemos mudar o propósito a que o corpo obedecerá mudando o que pensamos acerca de sua finalidade.

4. O corpo é o meio pelo qual o Filho de Deus volta à sanidade. Ainda que ele tenha sido feito para prendê-lo no inferno de forma irremediável, apesar de a meta do Céu ter sido trocada pela busca do inferno. O Filho de Deus estende sua mão para alcançar seu irmão e para ajudá-lo a caminhar pela estrada junto com ele. O corpo se torna sagrado imediatamente. Agora ele serve para curar a mente à qual ele tinha feito para matar.

5. Tu te identificarás com aquilo que pensas que te deixará seguro. Seja isso o que for, acreditarás que é um contigo. Tua segurança está na verdade, e não em mentiras. O amor é tua segurança. O medo não existe. Identifica-te com o amor e estás seguro. Identifica-te com o amor e estás em casa. Identifica-te com o amor e encontras teu Ser.


*


LIÇÃO 269


Minha visão vai além para ver a face de Cristo.

1. Peço Tua bênção sobre minha visão hoje. Ela é o instrumento que Tu escolheste para vir a ser o modo de me mostrar meus erros e de olhar para além deles. Cabe a mim encontrar uma nova percepção a partir do Guia que Tu me deste e, a partir das lições d'Ele, ultrapassar a percepção e voltar à verdade. Peço a ilusão que transcende todas as que inventei. Hoje escolho ver um mundo perdoado, no qual todos me mostram a face de Cristo e me ensinam que aquilo para que olho me pertence, que não existe nada a não ser Teu Filho santo.

2. Hoje, de fato, nossa visão é abençoada. Compartilhamos uma só visão, quando olhamos para a face d'Aquele Cujo Ser é o nosso. Somos um por causa d'Ele Que é o Filho de Deus, d'Ele Que é nossa própria Identidade.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 269

Acho que vale a pena repetir mais uma vez o comentário feito anteriormente para esta lição. É uma forma de estender e ampliar o alcance da reflexão da ideia para as práticas de hoje. Assim, como o fiz em anos passados, em lugar de um comentário feito por mim, vou dividir de novo com vocês um pequeno capítulo que traduzi do livro "Christ in You" [Cristo em ti] de que já falei outras vezes. 

Como já disse antes também, cada um dos capítulos do livro é uma lição. Esta em particular, acredito, pode ser de grande auxílio para o aprendizado da mudança de percepção. Ela trata dos processos que os pensamentos desencadeiam, o que nos permite aprender que precisamos prestar mais atenção a eles ["Orai e vigiai."], se de fato quisermos aprender a olhar e a ver em todos a face de Cristo.

A lição/capítulo se intitula A vontade de Deus e diz o seguinte:

Quanto tempo demora para entendermos a vontade de Deus!

Com frequência usas a expressão: "eu me decidi". Esta expressão tem um significado muito forte, se parares para refletir a respeito dela, pois naquele processo mesmo começas a trazer para a manifestação o desejo da mente. Desta forma dizes: "Percebo uma condição errada em minha mente, em minha mentalidade, em minhas circunstâncias; vou me decidir que isto desapareça". Mentalmente pões em movimento as forças visíveis e invisíveis do universo para realizar tua vontade.

Vês, é impossível viver de forma desatenta ou leviana no plano espiritual e estas lições seriam inúteis para qualquer um que não tenha despertado para a verdadeira consciência espiritual, a consciência da humanidade divina, o Eu Sou. De que forma a vontade de Deus pode se exprimir a não ser pela vida, pela humanidade nos corações e mentes de seres que existem n'Ele Mesmo? Sabe, portanto, que a vontade de Deus opera em ti mesmo.

Como é, então, que as coisas que queremos e desejamos não vêm a nós, podes perguntar.

Porque no mais fundo em todos os teus desejos, pensamentos e propósitos existe, por assim dizer, uma propensão oculta, o pensamento dentro do pensamento, o desejo dentro do desejo, e aquilo que tu mais desejas verdadeiramente está sempre na raiz de todas as tuas impressões passageiras e humores do momento. Não sentes muitas vezes que a própria coisa que desejas não é para teu bem permanente? Bem, essa mesma ideia vaga, essa leve sugestão, é do teu Ser que está fazendo tua vida. Dentro de ti mesmo, tu conheces a verdadeira qualidade, as experiências verdadeiras melhor indicadas para teu bem mais elevado. Quando fazes uso integral desta sugestão sutil por detrás de todo o teu sistema de pensamento, tu estás em unidade com a vontade de Deus, que é tua própria vontade. Esta é a voz do espírito, presta atenção a seus sussurros. Não peques contra o Espírito Santo*, ou perderás teus olhos e teus ouvidos e te tornarás cego e surdo*.

No plano dos sentidos isto é mais desastroso, porque tu estás exatamente aonde estás para cumprir a vontade de Deus. Ela é tua comida e bebida. Esta voz interior é tão delicada e tão sutil que tens de permanecer bem tranquilo e humilde, se quiseres ouvi-la. Deixa que Jesus [não a pessoa, mas o Cristo] fale contigo mais e mais, lê os Evangelhos até seres guiado mais e mais na direção de eliminar o véu que te esconde de teu Ser verdadeiro. Eu só respondi a tua pergunta, mas espero falar contigo de novo a respeito deste assunto.

Paz, Graça Celestial. Deus vive em ti, Ele é tua vida.


*NOTA: 


Uma observação apenas em relação a esta frase. Este texto foi publicado pela primeira vez em 1910. Em meu modo de ver, de acordo com o ensinamento do Curso, "pecar contra o Espírito Santo" significa apenas fazer o que fazemos diariamente ao não dar ouvidos a esta voz interior em nós mesmos [talvez possa se dizer que pecado é sinônimo de inconsciência, de falta de atenção], o que traz como resultado toda a insatisfação que vemos no mundo, a partir de nossa própria insatisfação, por estarmos a maior parte do tempo em transe, isto é, cegos e surdos. 

OBSERVAÇÃO:

Desculpem-me um texto tão longo, mas não posso, mais uma vez, me furtar a repetir aqui também - porque se refere à ideia que praticamos hoje - uma pergunta feita por uma de nossas colegas de grupo de estudos. Pergunta feita de longe, pois ela estava em viagem pelos países do Leste Europeu quando surgiu a dúvida. Publico aqui também a resposta que dei na ocasião. Abreviando tudo ao máximo para não me alongar demais. 

A pergunta:

Nós que participamos do [grupo de estudos do] curso temos muitos propósitos em comum; certo que são vários e que com muito esforço tentamos dia a dia nos corrigir. Agora, o que eu quero aprender é como lidar com pessoas que não têm nenhum objetivo de mudar ou mesmo achar que nunca têm equívocos e que sempre estão certas.Existe uma resposta para isso ou o silêncio e a aceitação total do outro é que vale? 

A resposta:

Se você estiver bem lembrada do que o Curso ensina, "não existe nada fora". Isto quer dizer que "o outro" [ou os outros] não existe, a não ser como uma projeção de uma parte minha que ainda não reconheci, não acolhi, aceitei, em mim e não agradeci por ela se ter apresentado.

O fato de termos problemas em nossos relacionamentos é revelador apenas da necessidade de que atentemos à orientação do Curso e tomemos a decisão de olhar para o mundo [que, aliás, só existe também como projeção de tudo aquilo que trazemos dentro de nós] de modo diferente.

O que o Curso quer nos ensinar quando nos aconselha a perdoar o mundo é apenas isto: se o mundo se está apresentando de alguma forma que não nos deixa felizes, que nos afasta da alegria, é porque o estamos olhando com os olhos do falso eu, do ego. Isto é, estamos oferecendo ao mundo um julgamento de nós mesmos, considerando-nos culpados por alguma coisa, mesmo que não vejamos isto de forma consciente. É por isto que o Curso diz: "perdoa e verás de modo diferente".

Assim, em resposta a sua pergunta, que você já respondeu para si mesma, mas que o ego [o falso eu] em você parece não querer aceitar ainda, a resposta para isso é, sim, "o silêncio e a aceitação total do outro" [uma visão que vai além para ver no outro, e, por consequência, em nós mesmos, a face de Cristo], uma vez que aceitar o outro não é nada mais do que aceitar um aspecto de você mesma que você ainda não reconhece, não aceita, e pelo qual você [seu ego] ainda não é capaz de demonstrar  gratidão. 

OBSERVAÇÃO 2: 

Num dos encontros posteriores das pessoas do grupo de estudos, a mesma pessoa repetiu a pergunta de modo diferente. Daí esta segunda observação repetida aqui novamente.

Voltei e volto a repetir, reafirmando a resposta dada acima, também de modo diferente. Isto é, o fato de aprendermos, ou não, que não há nada fora, nos autoriza a pensar que, como afirma Neale Donald Walsch, em sua trilogia Conversando com Deus, nenhum de nós tem nenhuma responsabilidade para com ninguém a não ser para consigo mesmo. 

Ou dizendo ainda de outro modo diferente, se nossos órgãos dos sentidos, olhos, ouvidos, nariz, boca e corpo como órgãos táteis, estão atentos apenas ao que está acontecendo aparentemente fora de nós, eles estão forçosamente fechados para o espírito em nós, quer dizer, não estão sendo usados pelo espírito que nos ensina que somos todos um.

Tratemos, pois, de nos voltarmos para dentro de nós para analisar e refletir a respeito daquilo que me/nos incomoda. Será que é algo que vejo/vemos no outro, ou será que é algo que não aceito, ou não quero aceitar, em mim/nós mesmo(s)? 

O que digo, e que é exatamente o que quero dizer em relação a isto, é que enquanto repetirmos os mesmos comportamentos e tivermos as mesmas perguntas, estamos dando a clara indicação de que, no fundo, no fundo, no mais íntimo de nós mesmos, ainda não tomamos a decisão que pode nos fazer ver tudo e todos de modo diferente, e abandonar o julgamento [aquele que faço dos outros, do mundo e que no fundo revelam o quanto eu mesmo me julgo, sem perceber que meu julgamento de mim mesmo não é real, porque estou julgando apenas uma imagem que criei de mim mesmo, o falso eu, que acredito ser, mas que não é nem de longe o que sou, na verdade], e perceber claramente que o mundo é neutro. E que o valor que ele, e tudo nele, tem aparentemente é só aquele que eu mesmo atribuo a ele. 


Na verdade, parece-me, que a pessoa que tem sempre o mesmo comportamento e repete as mesmas perguntas não quer, de fato, aprender com o ensinamento. Parece-me que a dificuldade maior que a pessoa tem é ouvir, e ouvir-se, mesmo em pensamento, sem cair no julgamento de si mesma, o que a leva a julgar o(s) outro(s) e o mundo inteiro. Ela quer - e isso não é possível - que o(s) outro(s) mude(m), que o mundo mude, sem se dar ao trabalho de fazer qualquer mudança em seu modo de pensar e agir no mundo. 

Caso haja ainda qualquer dúvida para alguém em relação à pergunta feita e respondida nestas observações, talvez valha a pena olhar com vagar e atenção o comentário feito para a lição de ontem. Lá, além do que está dito aqui, estão todas as respostas possíveis para as perguntas que fazemos e que envolvem a ideia de efetuar uma mudança no mundo, ou em alguém no mundo, ou alguma coisa no mundo. Se todas as coisas são perfeitas exatamente do modo que são, quem há-de querer mudar qualquer coisa, a não ser o ego?

Às práticas?



sábado, 24 de setembro de 2016

"Deixa que o espírito em ti tome conta de tudo."


5. O que é o corpo?

1. O corpo é uma cerca que o Filho de Deus imagina ter construído para separar partes de seu Ser de outras partes. É dentro desta cerca que ele pensa viver para morrer quando ela enfraquecer e se deteriorar. Pois dentro desta cerca ele pensa estar a salvo do amor. Identificando-se com sua segurança, ele percebe a si mesmo como aquilo que sua segurança é. De que outra forma ele poderia ter certeza de que permanece no interior do corpo e de que mantém o amor do lado de fora?

2. O corpo não permanecerá. Mas ele vê isto como segurança em dobro. Pois a impermanência do Filho de Deus é "prova" de que suas cercas funcionam e cumprem a tarefa que sua mente atribui a elas. Pois, se sua unidade ainda permanecesse intocada, quem poderia atacar e quem poderia ser atacado? Quem poderia ser vitorioso? Quem poderia ser sua presa? Quem poderia ser vítima? Quem o assassino? E, se ele não morresse, que "prova" haveria de que o Filho de Deus pode ser destruído?

3. O corpo é sonho. Igual a outros sonhos, algumas vezes ele parece retratar a felicidade, mas pode bem repentinamente retroceder para o medo, onde nascem todos os sonhos. Pois só o amor cria na verdade e a verdade nunca pode ter medo. Criado para ser medroso, o corpo tem de servir ao propósito que lhe foi dado. Mas nós podemos mudar o propósito a que o corpo obedecerá mudando o que pensamos acerca de sua finalidade.

4. O corpo é o meio pelo qual o Filho de Deus volta à sanidade. Ainda que ele tenha sido feito para prendê-lo no inferno de forma irremediável, apesar de a meta do Céu ter sido trocada pela busca do inferno. O Filho de Deus estende sua mão para alcançar seu irmão e para ajudá-lo a caminhar pela estrada junto com ele. O corpo se torna sagrado imediatamente. Agora ele serve para curar a mente à qual ele tinha feito para matar.

5. Tu te identificarás com aquilo que pensas que te deixará seguro. Seja isso o que for, acreditarás que é um contigo. Tua segurança está na verdade, e não em mentiras. O amor é tua segurança. O medo não existe. Identifica-te com o amor e estás seguro. Identifica-te com o amor e estás em casa. Identifica-te com o amor e encontras teu Ser.

*

LIÇÃO 268

Que todas as coisas sejam exatamente como são.

1. Que eu não seja Teu crítico hoje, Senhor, e julgue contra Tí*. Que eu não tente me intrometer em Tua criação para distorcê-la em formas doentias. Que eu me disponha a retirar meus desejos de sua unidade e a permitir, deste modo, que ela seja tal qual Tu a criaste. Pois assim serei capaz de reconhecer meu Ser da forma que Tu me criaste. Fui criado no amor e permanecerei para sempre no amor. O que pode me assustar, se eu permitir que todas as coisas sejam exatamente como são?

2. Que nossa visão não seja blasfema hoje e que nossos ouvidos também não deem atenção a línguas mentirosas. Só a realidade está livre da dor. Só a realidade está livre da perda. Só a realidade é totalmente segura. E é só isto que buscamos hoje.

*Nota da tradução: No original esta primeira frase diz: Let me not be Your critic, Lord, today, and judge against You. Na tradução de Lillian Paes a frase ficou assim:Senhor, que eu não seja o Teu crítico, hoje, e nem julgue contra Ti. Apesar de não haver especificamente um elemento indicador do que a levou a incluir a partícula "nem" em sua tradução, pode-se pensar que a inferência foi um elemento oculto que deveria/poderia aparecer subentendido após a terceira vírgula do original, que deixaria a frase com a seguinte forma: Let me not be Your critic, Lord, today, and [let me not] judge against You. Em meu modo de ver, minha tradução abole este elemento subentendido sem prejudicar o entendimento do sentido da frase original, porque se eu me colocar na condição de crítico do Senhor, é forçoso que eu julgue contra Ele, que é o que não quero fazer, de acordo com a primeira parte da frase. Ora, se na primeira parte da oração eu peço para não ser crítico, o fato de a segunda obedecer à lógica que resultaria do fato de eu ser um crítico, que seria julgar contra o Senhor, não impede o leitor de perceber que, apesar de a frase dizer "e julgue contra Ti", no final o sentido é o de que da mesma forma que não quero ser crítico, não quero julgar. Alguém quer fazer alguma observação a respeito?


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 268

Repetindo:

Eu lhes disse, em anos anteriores, que a ideia que praticamos hoje traz consigo de maneira bem clara a fórmula para se viver neste mundo, sem dor, sem perda, em segurança e em paz e com alegria. E qual é esta fórmula? Simplesmente abrir mão de qualquer desejo de exercer algum controle sobre as coisas, sobre quaisquer coisas. 

Em geral, temos a tendência a olhar para as críticas que fazemos e reputá-las "construtivas". Ou temos mesmo a ideia de que é necessário que sejamos críticos em relação a tudo e a todos, como se isso, por si só, fosse o que nos levaria a uma consciência maior, ou como se isso - o ser capaz de ser crítico - fosse um requisito que facilitaria nossas escolhas.

Ser crítico e exercer a atividade de crítico, parece-me, no entanto, ser uma grande, uma enorme falácia, um engano, e na mais das vezes, um auto-engano. Algo de que a pessoa se vale para poder "descer a lenha" naquilo de que não gosta, naqueles que fazem algo contrário àquilo que ele pensa ser o "certo" [mas não só isto necessariamente].

À luz do que nos ensina o Curso, precisamos aprender que tudo no mundo é neutro, o próprio mundo inclusive, e que qualquer valor que vemos em alguma coisa foi atribuído a essa coisa por nós mesmos a partir daquilo que trazemos interiormente, daquilo que julgamos ser de valor. Para o bem ou para o mal [que também são julgamentos, e que interferem com a vista do mundo e das coisas todas do mundo dentro da visão de neutralidade]. Tanto é assim que o Curso ensina que "tudo está absolutamente certo exatamente da maneira como está". 

Mas isto é algo extremamente difícil para o ego engolir.

Entretanto, se pensarmos bem, o que nos autoriza a pensar, então, que sabemos mais do que quem quer que seja? O que pode nos levar a acreditar que somos capazes de ditar as melhores formas de viver para nós mesmos, para uns e outros e para a humanidade toda, a não ser o enorme auto-engano da onipotência do ego?

Voltemos mais uma vez, então, a uma lição anterior, da primeira parte do livro de exercícios. Vamos perceber lá que ela já nos ensinava a dar o passo que a lição de hoje pede para darmos novamente, se ainda não o demos, então: Libero o mundo de tudo o que pensava que ele fosse [Lição 132]. Aprendemos?

Repito, pois, de novo e de novo, o que já disse noutros comentários: enquanto, escorados na pretensa força e no pretenso conhecimento do falso eu - o ego de que o Curso fala, e com quem nos identificamos -, e, de algum modo, não sei qual, acreditarmos poder ter controle sobre qualquer coisa, que não apenas sobre nossos próprios pensamentos, vamos continuar a viver no auto-engano. 


Aliás, também é auto-engano acreditar, como o ego quer que pensemos, que não podemos controlar nossos pensamentos.

Se refletirmos bem, se meditarmos bem, se prestarmos bastante atenção e olharmos de forma amorosa e desprovida de julgamento ou preconceito para tudo o que vemos no mundo, há alguma coisa que acreditamos poder mudar e fazer melhor? 


Será que somos capazes de mudar qualquer coisa que não apenas nossa forma de olhar, para aprendermos, como quer o Curso, a olhar para tudo de forma diferente? Será que somos, ou nos julgamos poderosos a ponto de pensar: - Se eu fosse Deus, faria isso e aquilo de forma diferente? E de acreditar que seríamos capazes de fazer melhor do que Ele?

Quem assistiu ao filme "O Efeito Borboleta" [o primeiro] há de se lembrar de que qualquer mudança que o protagonista introduzia em uma experiência, que ele julgava ser necessário mudar, gerava um resultado que ele não podia sequer imaginar. Um resultado muitas vezes "pior" do que aquele da situação que ele tentava modificar.

Imagino que, com certeza, se estivermos atentos, despertos, isto se aplica a tudo na vida. Um exemplo pode ser o da pupa [a lagarta] presa no casulo aguardando o instante para rompê-lo e se transformar em uma linda borboleta. Se resolvêssemos ajudá-la, abrindo o casulo para ela, para poupar-lhe o esforço, aparentemente grande para um ser tão frágil e pequeno, qual seria o resultado? O que já sabemos. Poupá-la do esforço que cabe apenas a ela fazer só iria trazer ao mundo uma borboleta sem força suficiente nas asas para voar.

Há uma lição, a 21, entre outras, que também nos ensina o que fazer quando, por qualquer razão, não vemos só "a bondade da criação" em tudo o que vemos. Ela diz: Estou decidido a ver as coisas de modo diferente. Ou ainda a lição 28: Acima de tudo quero ver as coisas de modo diferente. Porque, na verdade, ainda não vemos, cegos por todos os preconceitos que atulham nossas cabeças.

Para o ensinamento do Curso, mais do que olhar com os olhos do corpo e depositar sobre o objeto que nosso olhar capta o reflexo de nosso pensamentos passados a respeito dele, ver é comungar, é alcançar a comunicação perfeita com o objeto visto, sem separação, alcançar a unidade com ele e com Deus, sendo também o objeto. Pois para Deus, ou para a ideia de Deus, todas as coisas são neutras e todas desempenham uma função igualmente importante para a realização de Seu plano para a salvação do mundo, o único que funcionará, para nos lembrarmos de outra das lições da primeira parte do livro.

Quando aprendermos a abrir mão de quaisquer tentativas de controlar qualquer coisa, entenderemos a orientação do divino em nós mesmos que nos diz: "Deixa que o espírito em ti tome conta de tudo".

É isto que praticamos hoje, mais uma vez.


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Só eu posso ser o dono e o senhor de meu destino


5. O que é o corpo?

1. O corpo é uma cerca que o Filho de Deus imagina ter construído para separar partes de seu Ser de outras partes. É dentro desta cerca que ele pensa viver para morrer quando ela enfraquecer e se deteriorar. Pois dentro desta cerca ele pensa estar a salvo do amor. Identificando-se com sua segurança, ele percebe a si mesmo como aquilo que sua segurança é. De que outra forma ele poderia ter certeza de que permanece no interior do corpo e de que mantém o amor do lado de fora?

2. O corpo não permanecerá. Mas ele vê isto como segurança em dobro. Pois a impermanência do Filho de Deus é "prova" de que suas cercas funcionam e cumprem a tarefa que sua mente atribui a elas. Pois, se sua unidade ainda permanecesse intocada, quem poderia atacar e quem poderia ser atacado? Quem poderia ser vitorioso? Quem poderia ser sua presa? Quem poderia ser vítima? Quem o assassino? E, se ele não morresse, que "prova" haveria de que o Filho de Deus pode ser destruído?

3. O corpo é sonho. Igual a outros sonhos, algumas vezes ele parece retratar a felicidade, mas pode bem repentinamente retroceder para o medo, onde nascem todos os sonhos. Pois só o amor cria na verdade e a verdade nunca pode ter medo. Criado para ser medroso, o corpo tem de servir ao propósito que lhe foi dado. Mas nós podemos mudar o propósito a que o corpo obedecerá mudando o que pensamos acerca de sua finalidade.

4. O corpo é o meio pelo qual o Filho de Deus volta à sanidade. Ainda que ele tenha sido feito para prendê-lo no inferno de forma irremediável, apesar de a meta do Céu ter sido trocada pela busca do inferno. O Filho de Deus estende sua mão para alcançar seu irmão e para ajudá-lo a caminhar pela estrada junto com ele. O corpo se torna sagrado imediatamente. Agora ele serve para curar a mente à qual ele tinha feito para matar.

5. Tu te identificarás com aquilo que pensas que te deixará seguro. Seja isso o que for, acreditarás que é um contigo. Tua segurança está na verdade, e não em mentiras. O amor é tua segurança. O medo não existe. Identifica-te com o amor e estás seguro. Identifica-te com o amor e estás em casa. Identifica-te com o amor e encontras teu Ser.

*

LIÇÃO 267

Meu coração bate na paz de Deus.

1. Toda a vida que Deus criou em Seu Amor está a minha volta. Ela me chama em cada batida do coração e em cada respiração. A paz enche meu coração e inunda meu corpo com o propósito do perdão. Minha mente está curada agora e tudo o que preciso para salvar o mundo me é dado. Cada batida do coração me traz paz; cada respiração me infunde força. Eu sou um mensageiro de Deus, guiado por Sua Voz, animado por Ele no amor e mantido sereno e em paz para sempre em Seus Braços amorosos. Cada batida do coração chama Seu Nome e cada uma recebe a resposta de Sua Voz, que me assegura que n'Ele estou em casa.

2. Que eu ouça a Tua Resposta, não a minha. Pai, meu coração bate na paz que o Coração do Amor criou. É lá, e só lá, que posso estar em casa.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 267

Repetindo mais uma vez quase que de cabo a rabo o comentário de anos anteriores, vamos relembrar o que eu já disse várias outras vezes a respeito desta jornada espiritual que fazemos juntos, cada um em direção de si mesmo, e cada um de seu próprio jeito. Lembremo-nos, portanto, de que a descoberta de que existe apenas um lugar em que podemos desfrutar da paz e da alegria completas, expressões da Vontade de Deus para nós, envolve algum esforço inicial. 

Ou melhor, como eu também já disse antes, envolve em primeiro lugar que nos conscientizemos de que cada um de nós tem de tomar a decisão de buscar viver a Vontade de Deus de paz e de alegria completas para nós de forma mais frequente e duradoura, mesmo aqui neste mundo.

Os que já se decidiram e estão atentos, hão de lembrar que a lição 253 diz ser impossível que alguma coisa se apresente a nossa experiência sem ter sido solicitada por nós mesmos. E mais: diz que [tudo] o que acontece, em qualquer circunstância, é [sempre] o que queremos que aconteça, mesmo quando não temos consciência disso, ou mesmo quando pensamos que o que nos aconteceu era tudo o que não queríamos que acontecesse. 

Ela diz, ainda mais, que o que não acontece deixa de acontecer porque não queremos que aconteça. E afirma de modo categórico que "mesmo neste mundo" de ilusões e aparências somos nós - cada um de nós a sua própria maneira - que governamos nosso destino (grifo meu). 

Para reconhecer isto, basta nos lembrarmos, por exemplo, de uma das leis espirituais da Índia, que diz que, em qualquer situação, precisamos ter presente em nós que "aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido".

Lembram-se do filme Invictus? Quem já o assistiu há de se lembrar de Mandela dizendo ao capitão da equipe de rugby da África do Sul que o que o manteve sempre firme, confiante e o ajudou a suportar os longos vinte e seis anos em que esteve preso foi o poema Invictus, de William E. Henley*, que, aliás, empresta o título ao filme.

Uma lição mais antiga, pela qual já passamos, diz que não somos vítimas do mundo que vemos. O que isso quer dizer? Exatamente a mesma coisa que diz a lição 253 com outras palavras. Isto é, nós mesmos escolhemos tudo aquilo que vamos viver, tudo aquilo que queremos experimentar. Somos cem por cento responsáveis por tudo o que nos acontece. E não só a nós mesmos, mas ao mundo inteiro [pelo menos pelas partes do mundo que nos chegam à consciência]. Porque o mundo só existe como representação dos desejos e pensamentos que trazemos no interior de nós mesmos. É por isso que o mundo, em aparência, é diferente para cada um de nós.

A ideia que praticamos hoje nos oferece mais uma vez a oportunidade e a ocasião para a tomada de decisão. Ela nos convida a irmos, dentro de nós mesmos, ao lugar em que Deus nos espera, para nos acolher e envolver em Seu abraço amoroso e pleno de paz. E é só nesse abraço amoroso e nessa paz que podemos experimentar a alegria perfeita e sentir o coração bater em total sintonia com "toda a vida que Deus criou em Seu Amor". 


*NOTA: 


O poema Invictus, na tradução de André C. S. Masini ficou assim:

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi'alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

Às práticas?


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

"A gente vive... é para se desiludir, desmisturar." GR


5. O que é o corpo?

1. O corpo é uma cerca que o Filho de Deus imagina ter construído para separar partes de seu Ser de outras partes. É dentro desta cerca que ele pensa viver para morrer quando ela enfraquecer e se deteriorar. Pois dentro desta cerca ele pensa estar a salvo do amor. Identificando-se com sua segurança, ele percebe a si mesmo como aquilo que sua segurança é. De que outra forma ele poderia ter certeza de que permanece no interior do corpo e de que mantém o amor do lado de fora?

2. O corpo não permanecerá. Mas ele vê isto como segurança em dobro. Pois a impermanência do Filho de Deus é "prova" de que suas cercas funcionam e cumprem a tarefa que sua mente atribui a elas. Pois, se sua unidade ainda permanecesse intocada, quem poderia atacar e quem poderia ser atacado? Quem poderia ser vitorioso? Quem poderia ser sua presa? Quem poderia ser vítima? Quem o assassino? E, se ele não morresse, que "prova" haveria de que o Filho de Deus pode ser destruído?

3. O corpo é sonho. Igual a outros sonhos, algumas vezes ele parece retratar a felicidade, mas pode bem repentinamente retroceder para o medo, onde nascem todos os sonhos. Pois só o amor cria na verdade e a verdade nunca pode ter medo. Criado para ser medroso, o corpo tem de servir ao propósito que lhe foi dado. Mas nós podemos mudar o propósito a que o corpo obedecerá mudando o que pensamos acerca de sua finalidade.

4. O corpo é o meio pelo qual o Filho de Deus volta à sanidade. Ainda que ele tenha sido feito para prendê-lo no inferno de forma irremediável, apesar de a meta do Céu ter sido trocada pela busca do inferno. O Filho de Deus estende sua mão para alcançar seu irmão e para ajudá-lo a caminhar pela estrada junto com ele. O corpo se torna sagrado imediatamente. Agora ele serve para curar a mente à qual ele tinha feito para matar.

5. Tu te identificarás com aquilo que pensas que te deixará seguro. Seja isso o que for, acreditarás que é um contigo. Tua segurança está na verdade, e não em mentiras. O amor é tua segurança. O medo não existe. Identifica-te com o amor e estás seguro. Identifica-te com o amor e estás em casa. Identifica-te com o amor e encontras teu Ser.

*

LIÇÃO 266

Meu Ser sagrado vive em ti, Filho de Deus.

1. Pai, Tu me deste todos os Teus Filhos para serem meus salvadores, meus conselheiros visíveis; os portadores da Tua Voz santa para mim. Tu estás refletido neles e, neles, Cristo olha para mim desde o meu Ser. Que Teu Filho não se esqueça de Teu Nome santo. Que Teu Filho não se esqueça de sua Fonte santa. Que Teu Filho não se esqueça de que o Nome dele é o Teu.

2. Neste dia entramos no Paraíso, invocando o Nome de Deus e nosso próprio nome, reconhecendo nosso Ser em cada um de nós; unidos no Amor santo de Deus. Quantos salvadores Deus nos deu! Como podemos perder o caminho para Ele, quando Ele enche o mundo com aqueles que O indicam e nos dá a visão para olhar para eles?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 266

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje, do ponto de vista da percepção dos sentidos do corpo, não faz nenhum sentido. Isto é, ela se refere a algo que o ego - o falso eu - tem muito medo que venhamos a descobrir, ou lembrar, acerca de nós mesmos, o que o deixaria sem chão.

O que somos na verdade é o Ser sagrado, que vive em Deus e em Seu Filho, que é o que somos e é o que Deus é. Mas para entrar em contato com esta verdade é preciso que nos afastemos do mundo. É preciso que olhemos para o mundo de um ponto de vista que não se baseie nas impressões da percepção do corpo e que nos mostre que há, em tudo e em todos, alguma coisa além da forma que o olhos veem.

Isto tem a ver com a ideia de modificar a percepção, de mudar o modo de ver, conforme nos ensina o Curso com suas lições, ou como vimos no comentário de ontem. Tem a ver com chegar ao ponto de saber que não há nada no mundo, por mais real que nos pareça, que não passe de ilusão, se vocês tiverem em mente o que falamos a este respeito também no comentário à lição de ontem. 

Mudar o modo de ver é curar a percepção. É escolher a percepção correta do Espírito Santo, substituindo a percepção do ego e dos sentidos por ela. Trabalhamos com isto na primeira parte do livro de exercícios, cujas ideias buscavam nos ensinar um modo de desaprender aquilo que o mundo ensina. 

Mas também podemos, nesta segunda parte, sem sombra de dúvida, nos valer das ideias da primeira como forma de alcançar a percepção correta, que é o que o Curso se propõe a nos ensinar agora. Assim, eis aqui, de novo, parte do comentário feito antes a esta lição:

Não há nada a temer [Lição 48]. Nestes tempos aparentemente conturbados que vivemos, em que todos os veículos de comunicação - ou a maioria deles - escolheram nos contar quase que apenas aquelas notícias que confirmam a ideia de - e reforçam a crença na - separação, e nos aconselham a ter medo até do vizinho ao lado, de nossos companheiros ou companheiras, de nossos irmãos ou irmãs e de nossas famílias, ou de nossa própria sombra, precisamos recorrer com frequência a esta lição. Ela figura, em meu modo de ver, entre as mais importantes do Curso, no que diz respeito à meta da primeira parte do livro de exercícios: o desaprender daquilo que o mundo nos ensina, como eu disse acima.

Há uma espécie de sintonia - e não poderia ser diferente - entre a ideia da lição 48 e esta que praticamos hoje. Pois, se prestamos atenção, perceberemos que, de fato, não há razão alguma para se temer nenhuma das pessoas que aparentemente povoam este nosso mundo. A ideia de hoje nos ensina a olhar para todos e para cada um e ver neles o nosso salvador. Todos têm a função de nossos "conselheiros visíveis". Seja qual for a forma com que se apresentem. Seja qual for a mensagem que nos tragam.

Se olharmos bem para cada uma das pessoas que se apresenta em nossa vida, seremos capazes de identificar nela o Filho de Deus, a menos que estejamos nos sentindo separados d'Ele, o que significa que não estamos experimentando o Ser em nós mesmos, que estamos apenas distraídos de nós mesmos.

E, mais uma vez, não há como não lembrar, nem como deixar de voltar às falas do jagunço Riobaldo, do livro Grande Sertão: Veredas. Ouçam o que ele diz a certa altura:

"Pensar mal é fácil, porque esta vida é embrejada. A gente vive, eu acho, é mesmo para se desiludir e desmisturar. A senvergonhice reina, tão leve e leve pertencidamente, que por primeiro não se crê no sincero sem maldade."

Não é mesmo o caso de se buscar praticar com mais afinco? 

Às práticas?

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Mais uma vez: três passos para mudar a percepção


5. O que é o corpo?

1. O corpo é uma cerca que o Filho de Deus imagina ter construído para separar partes de seu Ser de outras partes. É dentro desta cerca que ele pensa viver para morrer quando ela enfraquecer e se deteriorar. Pois dentro desta cerca ele pensa estar a salvo do amor. Identificando-se com sua segurança, ele percebe a si mesmo como aquilo que sua segurança é. De que outra forma ele poderia ter certeza de que permanece no interior do corpo e de que mantém o amor do lado de fora?

2. O corpo não permanecerá. Mas ele vê isto como segurança em dobro. Pois a impermanência do Filho de Deus é "prova" de que suas cercas funcionam e cumprem a tarefa que sua mente atribui a elas. Pois, se sua unidade ainda permanecesse intocada, quem poderia atacar e quem poderia ser atacado? Quem poderia ser vitorioso? Quem poderia ser sua presa? Quem poderia ser vítima? Quem o assassino? E, se ele não morresse, que "prova" haveria de que o Filho de Deus pode ser destruído?

3. O corpo é sonho. Igual a outros sonhos, algumas vezes ele parece retratar a felicidade, mas pode bem repentinamente retroceder para o medo, onde nascem todos os sonhos. Pois só o amor cria na verdade e a verdade nunca pode ter medo. Criado para ser medroso, o corpo tem de servir ao propósito que lhe foi dado. Mas nós podemos mudar o propósito a que o corpo obedecerá mudando o que pensamos acerca de sua finalidade.

4. O corpo é o meio pelo qual o Filho de Deus volta à sanidade. Ainda que ele tenha sido feito para prendê-lo no inferno de forma irremediável, apesar de a meta do Céu ter sido trocada pela busca do inferno. O Filho de Deus estende sua mão para alcançar seu irmão e para ajudá-lo a caminhar pela estrada junto com ele. O corpo se torna sagrado imediatamente. Agora ele serve para curar a mente à qual ele tinha feito para matar.

5. Tu te identificarás com aquilo que pensas que te deixará seguro. Seja isso o que for, acreditarás que é um contigo. Tua segurança está na verdade, e não em mentiras. O amor é tua segurança. O medo não existe. Identifica-te com o amor e estás seguro. Identifica-te com o amor e estás em casa. Identifica-te com o amor e encontras teu Ser.

*

LIÇÃO 265

A bondade da criação é tudo o que vejo.

1. Certamente eu compreendo mal o mundo, porque depositei meus pecados sobre ele e os vi olhando de volta para mim. Quão ameaçadores pareciam! E como me enganei ao pensar que aquilo que eu temia estivesse no mundo e não apenas em minha mente. Hoje vejo o mundo na bondade celestial com a qual a criação resplandece. Não há nenhum medo nele. Que nenhuma manifestação de meus pecados esconda a luz do Céu, que brilha sobre o mundo. O que se reflete aí está na Mente de Deus. As imagens que vejo refletem meus pensamentos. No entanto, minha mente está em unidade com A de Deus. E, por isso, posso perceber a bondade da criação.

2. Em paz, quero olhar para o mundo que só reflete Teus Pensamentos e também os meus. Que eu me lembre de que eles são os mesmos e verei a bondade da criação.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 265

Acho que nunca é demais relembrar os três passos necessários para facilitar a mudança da percepção. Três passos de que tenho falado pessoalmente às pessoas que frequentam os grupos de estudos. E, mais uma vez, então, quais são estes passos, a que se referem e de que forma estão relacionados à ideia que praticamos hoje?

Bem, eles se referem a nossa forma de experimentar o mundo e tudo o que o mundo aparentemente oferece. E certamente têm a ver com o fato de compreendermos mal o mundo, por só o vermos a partir da percepção equivocada e limitada que nos oferecem os sentidos. Ou será que algum de nós pode dizer de forma sincera e honesta, a partir da percepção que seus sentidos lhe dá, que só vê a bondade da criação?

Para tanto, é preciso que esteja bem claro para cada um de nós o que o Curso quer dizer quando ensina que não há nada fora de nós mesmos. Isto quer dizer, básica e claramente, que todas as coisas que vemos têm tudo a ver apenas - e sempre - com o que trazemos interiormente. E que nada do que aparentemente existe para cada um de nós, nada, absolutamente nada, nem mesmo o mundo, existe senão como expressão daquilo que trazemos em nós, dentro, no interior de nós mesmos. E, se o mundo, aos nossos olhos, é assim ou assado é apenas porque internamente escolhemos colocar nele as características que trazemos e que o definem e limitam nos conceitos de assim ou assado. Seja lá o que isso for. 

É por esta razão que, tanto quanto os exercícios diários, os três passos a que me refiro servem para reequilibrar nossa percepção do mundo e de tudo o que há nele, dando-nos a correta dimensão de tudo o que vemos.

Voltem, por favor, ao texto que inicia o comentário da lição de ontem. Nele podemos perceber claramente de que forma precisamos nos posicionar em relação ao mundo. E a tudo o que aparentemente há nele. Isto é, nada do que vemos é real, a não ser como forma de manifestação daquilo que trazemos dentro de nós mesmos. Tudo é parte de uma grande ilusão que começamos a criar a partir do momento em que passamos a acreditar na ideia de separação. Isto é, à crença na possibilidade de que algum de nós ou alguma coisa verdadeira possa estar separada de Deus ou de nós mesmos.

Vamos, pois, aos três passos?

O primeiro, ao olharmos para qualquer pessoa, coisa ou situação que se nos apresente, que se apresente a nossa experiência, é reconhecer que a pessoa, coisa ou situação se apresentou porque nós mesmos as solicitamos. Reforçando: nada se apresenta à experiência de nenhuma pessoa sem que ela tenha pedido, sem que ela tenha escolhido - ainda que de forma inconsciente - passar por aquele experiência determinada.

O segundo passo, que decorre do primeiro, é acolher, aceitar, aquilo que se apresenta. Isto é, reconhecendo que solicitamos a presença daquilo que se apresentou, tudo o que é preciso fazer é acolher, aceitar. A pessoa, coisa ou situação.

E, por fim, o terceiro passo, aquele que nos dá a possibilidade de "escolher outra vez", é agradecer por aquilo que se apresentou. Aliás, como eu já disse outras vezes, de acordo com o ensinamento do Curso e com o ensinamento de vários mestres ao longo do tempo, é preciso que sejamos capazes de agradecer por tudo o que nos acontece o tempo todo. 

Cientes destes passos, prestando atenção a tudo o que vemos, ouvimos, cheiramos, provamos, tocamos ou percebemos a partir dos sentidos, vamos ser capazes de, como a ideia de hoje nos pede para praticar, ver a bondade da criação em tudo. E, repetindo o que eu já disse antes, o mundo que veremos, então, será apenas o reflexo dos pensamentos que temos na unidade com Deus e refletirá tão-somente os Pensamentos d'Ele, que são os mesmos que os nossos. Do mesmo modo que, como vimos ontem, a Vontade d'Ele e a nossa são uma só e a mesma.

Às práticas?

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Seremos nós homens e mulheres de pouca fé?


5. O que é o corpo?

1. O corpo é uma cerca que o Filho de Deus imagina ter construído para separar partes de seu Ser de outras partes. É dentro desta cerca que ele pensa viver para morrer quando ela enfraquecer e se deteriorar. Pois dentro desta cerca ele pensa estar a salvo do amor. Identificando-se com sua segurança, ele percebe a si mesmo como aquilo que sua segurança é. De que outra forma ele poderia ter certeza de que permanece no interior do corpo e de que mantém o amor do lado de fora?

2. O corpo não permanecerá. Mas ele vê isto como segurança em dobro. Pois a impermanência do Filho de Deus é "prova" de que suas cercas funcionam e cumprem a tarefa que sua mente atribui a elas. Pois, se sua unidade ainda permanecesse intocada, quem poderia atacar e quem poderia ser atacado? Quem poderia ser vitorioso? Quem poderia ser sua presa? Quem poderia ser vítima? Quem o assassino? E, se ele não morresse, que "prova" haveria de que o Filho de Deus pode ser destruído?

3. O corpo é sonho. Igual a outros sonhos, algumas vezes ele parece retratar a felicidade, mas pode bem repentinamente retroceder para o medo, onde nascem todos os sonhos. Pois só o amor cria na verdade e a verdade nunca pode ter medo. Criado para ser medroso, o corpo tem de servir ao propósito que lhe foi dado. Mas nós podemos mudar o propósito a que o corpo obedecerá mudando o que pensamos acerca de sua finalidade.

4. O corpo é o meio pelo qual o Filho de Deus volta à sanidade. Ainda que ele tenha sido feito para prendê-lo no inferno de forma irremediável, apesar de a meta do Céu ter sido trocada pela busca do inferno. O Filho de Deus estende sua mão para alcançar seu irmão e para ajudá-lo a caminhar pela estrada junto com ele. O corpo se torna sagrado imediatamente. Agora ele serve para curar a mente à qual ele tinha feito para matar.

5. Tu te identificarás com aquilo que pensas que te deixará seguro. Seja isso o que for, acreditarás que é um contigo. Tua segurança está na verdade, e não em mentiras. O amor é tua segurança. O medo não existe. Identifica-te com o amor e estás seguro. Identifica-te com o amor e estás em casa. Identifica-te com o amor e encontras teu Ser.

*

LIÇÃO 264

O Amor de Deus me envolve.

1. Pai, Tu estás na minha frente e atrás de mim, ao meu lado, no lugar em que me vejo e em todos os lugares aonde vou. Tu estás em todas as coisas que vejo, em todos os sons que ouço e em cada mão que busca alcançar a minha. O tempo desaparece em Ti e o espaço se torna uma crença sem sentido. Pois o que envolve Teu Filho e o conserva em segurança é o Próprio Amor. Não existe nenhuma Fonte a não ser esta e não existe nada que não compartilhe a santidade dela; nada que fique fora do alcance de Tua criação única ou sem o Amor que contém todas as coisas em si mesmo. Pai, Teu Filho é igual a Ti mesmo. Hoje, vimos a Ti em Teu Próprio Nome para ficar em paz no Teu Amor eterno.

2. Meus irmãos, juntem-se a mim hoje. Esta é a prece da salvação. Não temos de nos unir naquilo que salvará o mundo junto conosco?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 264

"Qualquer coisa que acredites ser boa, valiosa e pela qual valha a pena lutar neste mundo pode te ferir, e o fará. Não porque tenha o poder de ferir, mas apenas porque negaste que ela é só uma ilusão e a tornaste real. E ela é real para ti. Ela não é [mais só um] nada. E, por meio da realidade percebida nela, entra todo o mundo de ilusões doentias. Toda a crença no pecado, no poder do ataque, em ferimento e dano, em sacrifício e morte, vem a ti. Pois ninguém pode tornar uma ilusão real e, ao mesmo tempo, escapar das outras. Pois quem pode escolher manter aquelas que prefere e encontrar a segurança que só a verdade pode oferecer? Quem pode acreditar que as ilusões são todas iguais e, ao mesmo tempo, afirmar que uma delas é melhor?" [T.26.VI.1:1-9]

Voltemos mais uma vez nossa atenção para o texto acima, ponto de partida para o comentário a esta mesma lição neste ano, e em anos anteriores. Texto que pode se revelar de grande utilidade para nos convencermos de que a ideia que praticamos hoje é a que deve ser cultivada para que nos libertemos de quaisquer temores em nossa vida, na experiência aparente da forma e dos sentidos. 

Wayne Dyer, em um de seus livros, afirma que não se pode acreditar em Deus e ter medo ao mesmo tempo. Sim, é isso mesmo, repetindo enfaticamente, não se pode acreditar em Deus e ter medo ao mesmo tempo. Ou vivemos a partir de nossa fé com a certeza interior de que nada nos pode ferir a não ser nossos próprios pensamentos, ou estaremos vivendo uma vida dissociada daquilo que somos verdadeiramente. Uma vida que se deixa orientar e dirigir pelas impressões e interpretações que o ego - o falso eu - e seu sistema de pensamento, orientado apenas pelos sentidos, nos oferecem como forma de ver-perceber o mundo, e que nem de longe chega a um mínimo vislumbre do que é viver realmente. 

Talvez seja por isso que Jesus, pelo que se diz a respeito dele, chegou ao ponto de afirmar em seu tempo acerca de seus discípulos que eram homens de pouca fé. Pois, apesar de verem, não viam e, apesar de ouvirem, não ouviam. Assim como a grande maioria de nós desde então até hoje.

Hazrat Inayat Khan diz que o objetivo da vida é alcançar o espírito [e o espírito é alegria, é luz, é paz]. E que alcançar o espírito não é apenas adquirir conhecimento ou sabedoria; é o apetite da alma; e que virá o dia na vida de uma pessoa em que ela sentirá o apetite da alma mais do que qualquer outro apetite.

Diz ele ainda não haver dúvida de que toda alma [no sentido de toda pessoa, todo ser] tem um anseio inconsciente pela satisfação do apetite de sua alma, mas que, ao mesmo tempo, a absorção de nossa vida diária nas atividades mundanas nos mantém tão ocupados que não temos tempo para prestar atenção ao apetite da alma. 

É exatamente a isto que se refere o texto que abre este comentário. Ele trata de nos chamar a atenção para o fato de nos deixarmos envolver pelo mundo do ego. Trata do fato de resistirmos, e de esquecermos de nos abrir, à ideia que o Curso nos oferece para as práticas, e para as próprias práticas em si mesmas. Elas são a melhor forma de neutralizar a insanidade de buscar satisfação em um mundo que não pode oferecer nada verdadeiro. Nada duradouro. 

Os exemplos estão aí o tempo inteiro. Há os que dizem não querer nada, mas se ressentem do que lhes falta. Há os que têm tudo e mais do que qualquer ser humano precisa para a satisfação de suas necessidades neste mundo, mas que não estão satisfeitos e querem mais, e mais, e mais, e mais... Esquecem-se, e nós com eles de ambos os modos, de que não há nada a que nos agarrarmos no mundo que vá durar para sempre. Acumular, então, qualquer coisa para quê? Medo de que qualquer coisa possa faltar para quê? Talvez aquilo para que damos nossa atenção e cuidado perdure no tempo, além do tempo que devolverá nossos corpos ao pó. Mas é só a alegria que conseguimos viver sendo o que somos, sendo o que fazemos, colocando-nos por inteiro em cada momento, vivendo aqui e agora, tudo o que há para vivermos, que pode dar sentido a nossa existência e, quem sabe?, servir de inspiração para outras vidas que se seguirão à nossa. 

E não nos enganemos jamais. Qualquer dúvida, qualquer pontinha de incerteza, qualquer insegurança, quanto ao que estamos dizendo, fazendo ou pensando, é indicativo de que nos afastamos da meta de ser e de viver sendo, em vez de nos deixarmos levar pelas emoções e reações que os sentidos fazem despertar em nós via ego. Nada do fazemos a partir da orientação do falso eu pode levar à unidade, ao reconhecimento de que somos todos um e de que sem todos os outros do mundo estamos incompletos, da mesma forma que "o próprio Deus é incompleto sem mim", conforme o Curso ensina. 

Como eu disse antes, se voltarmos nossa atenção para a ideia que praticamos, acreditando na verdade que ela expressa, isto é, se acreditamos que o que nos envolve é o Amor de Deus, podemos, com certeza, abrir mão de todas as ilusões que o sistema de pensamento do ego nos oferece como alternativas à alegria infinita que Deus quer para nós.

Tudo no mundo da ilusão, repetindo parte dos comentários do passado,  é equivalente a nada no mundo real. Então, só precisamos abandonar toda e qualquer crença que nos diga que há alguma coisa que queiramos neste mundo para alcançarmos a paz e a alegria, que são nossa herança natural como filhos de Deus. E é por isso que a ideia para as práticas de hoje pode trazer luz a nossas vidas, ajudando-nos a fazer novas escolhas. 

A partir das práticas de hoje já não vamos mais poder acreditar que alguma coisa diferente da alegria e da paz perfeitas possa se apresentar a nós. Pois a lição de hoje nos oferece a certeza de que é só o Amor de Deus que nos envolve. E, se vemos e vivemos algo diferente da paz e da alegria completas, só pode ser porque ainda estamos nos recusando a reconhecer que a Vontade de Deus e a nossa própria vontade são uma só e a mesma.

Às práticas?